Mantega diz que União cortará gasto para ter superávit nominal
 


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na sexta-feira, em Campinas, que o governo quer alcançar o superávit nominal até 2010 e, para isso, vai reduzir os gastos correntes, sobretudo os gastos com pessoal. Mantega disse ainda que, após esse ciclo inflacionário, o Banco Central (BC) deve voltar à trajetória de redução de juros. "O resultado nominal é o que mais interessa pois é a soma dos gastos operacionais mais a conta financeira. O Brasil ficou muito tempo patinando com o desequilíbrio fiscal e tinha de olhar só para uma parte do resultado fiscal, que é o primário", disse Mantega. "Aparentemente, se dizia que havia um superávit primário como se as contas estivessem equilibradas, quando na verdade, se coloca a conta de juros e há déficit nominal."

Mantega disse que o governo trabalha pela aprovação de projeto de lei para contenção de gastos com pessoal nas esferas federal, estadual e municipal. "Temos que vigiar os gastos correntes de um modo geral. Teremos contenção no aumento de gastos de pessoal, que é o segundo maior gasto que a União possui", afirmou.

"Depois de passado esse período de inflação mais alta, o Banco Central voltará à trajetória de juros que vinha perseguindo antes. Pode-se observar que nos últimos três anos o Banco Central vinha reduzindo a taxa de juros e interrompeu essa redução a partir desse aumento inflacionário. Porém uma vez debelado esse aumento inflacionário haverá novamente redução de juros", disse.

Mantega afirmou que o limite de 6,5% de meta para a inflação de 2008 será cumprido. "Ficaremos dentro do limite da nossa banda superior. A inflação prevista pela Focus estava em 12 meses em 6,34%, então acredito que poderá ficar entre 6,3% e 6,5%, o limite máximo da meta. Outros países já ultrapassaram [o limite]."


Fonte: DCI
01/09/2008