Presidente da CVM afirma que pessoa física traz liquidez para ofertas iniciais
 


A participação de investidores pessoas físicas em ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) é vista positivamente pela a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. "Essa operação não é problema, pelo contrário, contribui, do ponto de vista do emissor, para diversificar a base de acionistas", afirma a presidente, em palestra sobre a evolução do mercado brasileiro de capitais. Para Maria Helena, a operação colabora para um mercado secundário mais ativo e mais líquido.

A participação de investidores pessoa física em IPO gerou polêmica, principalmente devido à dificuldade imposta pelos prospectos divulgados pelas companhias antes de abrir o capital. Recentemente, o diretor do Credit Suisse, José Olympio, defendeu que os investidores que não tiverem condições de entender o documento não participem desse tipo de operação. A opinião do ex-presidente da CVM e sócio da Trindade Sociedade de Advogados, Marcelo Trindade, também foi parecida: "O investidor que tem pouca informação não precisa comprar no IPO", disse Trindade. Segundo Maria Helena, a pessoa que comprar ação de empresas que estão no mercado pela primeira vez deve saber o que está fazendo e não achar que alguém vai traduzir o prospecto da empresa.

A presidente também comenta sobre o cenário atual do mercado de capitais. "Estamos em um momento claro de entressafra e de retração por parte dos investidores internacionais, e embora as causas não sejam do mercado doméstico, o reflexo aqui do nosso mercado é muito evidente", diz. Para ela, o resultado é visível no patamar de preço dos ativos, se refletindo no valor das empresas na Bolsa de Valores. "Até que essa situação se ajuste as pessoas devem ficar reticentes em vir ao mercado", afirma.

Sobre a possibilidade de o governo criar uma outra estatal para a exploração da camada pré-sal, o que poderia prejudicar a Petrobras, Maria Helena argumenta que a CVM não faz comentários sobre os risco de situações em andamento. "Ainda não recebemos reclamações de acionistas minoritários", afirma. Segundo ela, a CVM faz o possível para prestar maior informações a o mercado.


Fonte: DCI
01/09/2008