Programa de Alckmin na TV elogia Serra
 


Com a imagem de um abraço de Geraldo Alckmin e José Serra e um tapinha nas costas dado pelo candidato do PSDB à prefeitura nas costas do governador do Estado, a campanha tucana tentou mostrar ontem ao eleitor de São Paulo que os dois correligionários estão juntos na disputa pelo governo municipal. Enquanto a imagem era exibida, o locutor descrevia que eles são "companheiros há 20 anos" e que "juntos podem fazer mais". Foi exibida também uma foto de arquivo dos dois tucanos com as mãos dadas e erguidas. Apesar do esforço da equipe de Alckmin, Serra continua ausente da campanha do tucano. 

O candidato do PSDB tentou associar seu nome ao Serra e a campanha que foi exibida ontem, às 13h, no horário eleitoral gratuito, fez elogios ao governador do Estado. "José Serra foi um grande ministro da Saúde, um excelente prefeito e agora é o nosso governador", disse o locutor, lembrando em seguida que os dois tucanos se conhecem há duas décadas. 

A associação da campanha à imagem de Serra também foi feita pela campanha do prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab. O prefeito, entretanto, preferiu divulgar parcerias de sua gestão com o governo federal para conquistar mais votos e destacou a realização de obras em conjunto com Lula. 

Na propaganda do prefeito, ele disse que está trabalhando em parceria com Lula e com Serra, e que "graças à soma de esforços" tem realizado obras como a construção de casas populares. "Aliás tenho trabalhado muito bem com o presidente. Ele tem sido muito justo comigo", disse Kassab. 

A associação da campanha de Kassab ao presidente irritou o PT, que usou na propaganda política imagens de Lula ao lado de Marta Suplicy, no sábado, em comício na zona leste da cidade. Na ocasião, o presidente disse que sua candidata é a petista. "Numa campanha política é importante dizer que tenho um lado e meu lado em São Paulo é a companheira Marta", disse o presidente no comício na capital. 

Marta disse que investirá em obras para melhorar o transporte na cidade, que estão previstas em projeto entregue ao presidente Lula quando ela estava no Ministério do Turismo. A propaganda petista destacou o resultado da pesquisa Ibope, que mostra Marta com 39% dos votos, seguida por Alckmin, com 22% e Kassab, com 12%. 

Nas atividades de campanha dos candidatos realizadas ontem, Marta se emocionou ao falar sobre as eleições de 2004, quando perdeu para o então candidato José Serra, atual governador. Em sabatina no jornal "O Estado de S. Paulo", ela disse que o episódio foi muito "sofrido" e afirmou que não tem "expectativas" de disputar outro cargo em 2010. 

Ontem ela a enfrentou a hostilidade de alguns eleitores durante campanha na zona norte da cidade, considerada por petistas como reduto tucano. "Ela vai fazer mais taxas", "ela só vem em época de eleição" e "relaxa e goza" foram algumas das frases ouvidas durante a visita da ex-prefeita pelo comércio da região. A candidata negou que tenha ouvido os insultos, mas minimizou o episódio. "Estou surpresa, porque estava distante e realmente não ouvi. Mas acho que se fizeram, tem gente que é desagradável, que às vezes fala alguma coisa hostil, e a gente tem que receber (as críticas)", disse Marta. 

O prefeito visitou obras em Guaianases, na zona leste, reduto petista, e desconversou quando foi questionado sobre a razão de não conseguir converter os índices de avaliação de sua gestão em voto. "O importante é que continuemos a administrar a cidade", afirmou. "À medida que a campanha avançar, nós teremos uma vinculação muito possível da vontade do eleitor em dar o seu voto para aquele que está administrando a cidade hoje", comentou o prefeito e candidato. 

Alckmin foi sabatinado pelo jornal "O Globo" e fez caminhada pelo centro. Ele recebeu o apoio de quatro secretários de Serra: Sidney Beraldo (Gestão), Linamara Batistella (Direitos da Pessoa com Deficiência), Mauro Arce (Transportes), e José Henrique Reis Lobo (Relações Institucionais). Lobo, que é presidente municipal do PSDB, também passou a integrar a coordenação da campanha tucana.


Fonte: Valor Econômico
02/09/2008