Governo prevê exportar mais apesar de importação recorde
 


O aumento do preço do petróleo teve peso fundamental na balança comercial brasileira em agosto, especialmente nas importações que atingiram o recorde histórico de US$ 17,478 bilhões. Por outro lado, as exportações também continuam fortes e o governo anunciou a revisão, para cima, da meta de US$ 190 bilhões de exportações prevista para este ano.

Essa revisão faz parte da estratégia de equilibrar o saldo da balança comercial. O novo número, que ainda está sendo calculado e segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do desenvolvimento, Welber Barral, será divulgado no início do próximo mês e ficará acima da meta atual, de US$ 190 bilhões.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, a revisão se deve ao saldo das exportações nos últimos 12 meses, que soma US$ 189 bilhões. Além disso, as vendas para o exterior no acumulado do ano alcançaram US$ 130 bilhões até agosto. "A meta para as exportações neste ano está sendo recalculada", afirmou o secretário. "O desempenho nos últimos 12 meses nos leva a rever a previsão", resumiu Barral.

Petróleo
No mês passado, as importações de petróleo cresceram 158,7% ante agosto do ano passado, para uma média diária de US$ 95,4 milhões. De janeiro a agosto o crescimento das compras de produtos e derivados foi de 77%, para US$ 21,92 bilhões, sendo 9% na quantidade e 62% no preço. Cresceram as quantidades importadas de óleo diesel, em 36%, de gás natural, em 21,5%, e de petróleo, em 1,4%. Com este impulso, as importações brasileiras cresceram 11,6% entre julho e agosto e fecharam o mês passado com os maiores valores da história. Segundo dados da balança comercial, foram importados US$ 17,478 bilhões. Esse é o segundo mês consecutivo em que as importações batem recorde.

De acordo com Barral, o efeito só não foi pior porque o crescimento do consumo de álcool no mercado interno reduz a necessidade do Brasil de importar petróleo, produto que é refinado para dar origem aos diversos derivados. Por outro lado, o País está importando mais óleo diesel para abastecer a frota.

Todavia, o efeito dos derivados de petróleo também geram reflexos positivos do lado das exportações. As vendas de petróleo e derivados foram de US$ 15,752 bilhões. O crescimento atingiu 64%, sendo 78% no preço. Na quantidade, porém, houve queda de 8% no período. Além disso, o petróleo exportado pelo Brasil tem um preço menor que o importado, por isso o impacto na balança. Diante deste resultado, no total das vendas externas, a balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 19,747 bilhões em agosto. Nesse caso, o saldo é o segundo melhor já registrado, atrás apenas de julho deste ano (US$ 20,451 bilhões).

Agosto
No total, apenas no mês de agosto, a balança comercial foi superavitária em US$ 2,269 bilhões, com 21 dias úteis. No intervalo, as exportações somaram US$ 19,747 bilhões, uma média de US$ 940,3 milhões por dia útil, e as importações ficaram em US$ 17,478 bilhões, média diária de US$ 832,3 milhões. Somente na quinta semana de agosto, compreendia pelos dias 25 e 31, com cinco dias úteis, o superávit comercial correspondeu a US$ 990 milhões, decorrente de exportações de US$ 4,823 bilhões (média diária de US$ 964,6 milhões) e importações US$ 3,833 bilhões (média diária de US$ 766,6 milhões).

Em agosto do ano passado, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 3,541 bilhões, devido a vendas externas de US$ 15,1 bilhões e a compras de US$ 11,559 bilhões. No acumulado do ano, a balança comercial apresenta superávit de US$ 16,907 bilhões de janeiro a agosto deste ano - queda de 37,7% pela média diária. No mesmo período de 2007, o saldo comercial foi positivo em US$ 27,461 bilhões.

Até agosto, as exportações corresponderam a US$ 130,843 bilhões e as importações totalizaram US$ 113,936 bilhões, uma média diária respectiva de US$ 783,5 milhões e US$ 682,3 milhões. Entre janeiro e agosto de 2007, as vendas externas foram de US$ 102,433 bilhões e as compras chegaram a US$ 74,972 bilhões.


Fonte: DCI
02/09/2008