| |
O novo modelo da exploração dos campos de petróleo localizados na camada do pré-sal já está delineado. Ao menos é o que demonstrou ao mercado o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella ao reproduzir a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à estatal de que os contratos de concessão dos campos do pré-sal já licitados e assinados serão definitivamente cumpridos.
Segundo ele, a propriedade dos blocos de exploração do pré-sal nas áreas ainda não concedidas "deverá ser do governo, para ele ter condições de fazer um planejamento estratégico que vai sustentar o desenvolvimento do Brasil nas próximas décadas".
Estrella afirmou que a Petrobras continua trabalhando normalmente nos poços em que é operador. "Não temos um plano B, estamos operando da forma que a lei nos permite", disse o diretor a estatal. De acordo com ele, a companhia ainda está esperando uma decisão governamental. "Publicamente, nada está liberado. O governo está trabalhando para identificar um modelo para que esses grandes reservatórios tragam benefícios para o País", afirmou o diretor.
As declarações foram feitas ontem, quando o diretor anunciou o início da produção do primeiro óleo da camada pré-sal, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, no litoral sul do Espírito Santo, que começa hoje. O investimento realizado, de cerca de R$ 50 milhões, significa, de acordo com o diretor Estrella, a consolidação da exploração da área do pré-sal. "Esse não é o primeiro passo, mas o segundo dessa grande era que se inicia", afirmou o diretor.
Com o início das operações, a Petrobras espera obter mais informações que ajudarão a companhia a desenvolver as reservas da camada do pré-sal. Estrella confirmou que as expectativas sobre o óleo descoberto estão sendo confirmadas com os estudos realizados, e que de 10 a 15 anos, o Brasil deverá produzir mais petróleo do que sua demanda. "Estamos com novas refinarias programadas que são chamadas de premium, que irão produzir derivados de alta qualidade que serão absorvidos no mercado externo", afirmou. Com isso, o diretor da estatal anunciou que o fato do petróleo ser refinado dentro do País permitirá maior rentabilidade a todo o processo do pré-sal.
Para a exploração que começa hoje, um poço que já existia na região está sendo reaproveitado. Para se ajustar às características do óleo leve do pré-sal foi necessário realizar pequenas adaptações na planta de processo da plataforma. Essa nova perfuração fará parte de um processo de aprendizado. "Esse é um grande evento que é o início de uma história de um processo de continuará depois com outras perfurações na Bacia de Santos", afirma Estrella. A produção começa com um Teste de Longa Duração que deverá durar de seis meses a um ano.
Segundo o gerente Executivo do pré-sal da estatal, José Formigli, o início hoje da operação no pré-sal em Jubarte e o teste de longa duração em Tupi, cujo início está previsto para março de 2009 são a base para determinar as características do óleo do pré-sal, o tipo de equipamento a ser usado e a forma de desenvolver os campos. "Estamos começando a ter jurisprudência em termos de conhecimento para nos permitir extrapolações nesta área do pré-sal", disse Formigli.
Finalizados os testes, a Petrobras começa da produção no campo de Tupi, no final de 2010. "Veremos como o reservatório se comporta para garantir que façamos um grande banco de dados que progressivamente garantirá a otimização de nossos investimentos", afirmou Estrella.
O diretor afirmou ainda que as informações atuais da estatal indicam que a área da camada do pré-sal - que se estende do Espírito Santo até Santa Catarina - deve conter acumulações dispersas de petróleo. "A interpretação geológica varia, mas a primeira informação que temos é de que são campos separados uns dos outros", disse. Já com relação à possibilidade de alguns dos nove blocos já licitados no pré-sal "vazarem" para áreas vizinhas que ainda não foram leiloadas, o que obrigaria o governo a fazer a chamada unitização. "Somente em dezembro de 2010 terminaremos a fase de avaliações de Tupi", afirmou Estrella. Segundo o diretor, "é verdade que não se pode produzir num campo que esteja sob risco de unitização".
Estrella também não especificou qual seria o montante de aumento de capital necessário na Petrobras para que a empresa possa investir na exploração do pré-sal. Com relação às recentes declarações do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) sobre o destino dos blocos da União que são vizinhos aos blocos já licitados (que poderiam ser usados para o governo capitalizar a Petrobras), Estrella limitou-se a dizer que tem conversado com Mercadante e que o senador "é um homem qualificado para contribuir nesse processo".
Fonte: DCI 02/09/2008
|