Magazine Luiza avalia como captará recursos em 2009
 


Após finalizar a maratona de inaugurações de lojas na cidade de São Paulo neste mês, o Magazine Luiza dará início a outra difícil tarefa : a elaboração do planejamento estratégico de 2009. Um dos pontos cruciais será a decisão de como a empresa irá se capitalizar para manter seu agressivo plano de expansão. Além de de continuar crescendo na capital paulista, onde espera atingir 80 lojas em 2009 e 120 em 2010, também estão nos planos da companhia de Franca (SP) avançar no Centro-Oeste. A rede quer chegar a Brasília e Goiânia. 

Para isso, o Magazine Luiza terá de buscar recursos no mercado de capitais. O projeto para o lançamento de ações na Bolsa de Valores está pronto, na gaveta, mas a companhia está à espera do melhor momento. Por enquanto, o desempenho da bolsa não é dos mais favoráveis. 

Se o mercado acionário continuar ruim, uma das alternativas que podem ser avaliadas pela varejista seria buscar um maior aporte de recursos de fundos de investimentos fechados (private equity). Em junho de 2005, a família Trajano, controladora do Magazine Luiza, vendeu 12,3% do seu capital para um dos fundos administrados pelo grupo americano Capital International, por R$120 milhões. 

Os recursos deram fôlego para que a empresa se expandisse, fizesse aquisições no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, por fim, chegasse à capital paulista neste ano. Nos últimos três anos, a rede associou-se ainda ao Unibanco, que adquiriu 50% de sua financeira, a LuizaCred, e firmou uma joint venture com Cardif na área de seguros, chamada Luizaseg. No primeiro semestre deste ano, a seguradora registrou crescimento de 50%, somando R$45 milhões em prêmios, e obteve lucro de R$3,7 milhões. 

"Depois de abrirmos as lojas em São Paulo, vamos avaliar como iremos nos capitalizar (em 2009)", afirmou ontem Luiza Helena Trajano, superintendente da varejista, durante seminário promovido pela revista "Exame" em São Paulo. 

Usando uma pulseira de "olho grego", amuleto para afastar mau olhado, Luiza confirma que as 50 lojas serão abertas em meados deste mês na capital paulista. Três ou quatro unidades, porém, podem não estar concluídas a tempo devido a problemas com as obras. Mais de 20 lojas, por sua vez, estão completamente prontas, com mercadorias, à espera da inauguração. 

"Quando se faz alguma coisa nova, o que mais se ouve das pessoas é que não vai dar certo", disse a empresária, que esquivou-se de dizer se a pulseira, comprada em viagem recente à Turquia, segundo ela, era para dar sorte. Comenta, bem humorada, que os filhos ficam dizendo para ela tirar a pulseira do braço. "Mas eu não tiro." 

Segundo Luiza, a inauguração das lojas causou muito mais alvoroço do que ela esperava. "Minha tia (fundadora da rede) sempre disse que, se fosse para entrar na cidade de São Paulo, teria de ser com 50 lojas no mínimo. Não sei por que tanta surpresa." 

O maior desafio não será abrir todas as lojas de uma só vez, mas consolidar a posição da empresa no mercado paulistano. "Não esperamos um retorno financeiro imediato. Em nosso planejamento, prevemos que o retorno virá em 2010", diz Luiza. Algumas das próximas unidades que serão abertas na cidade ficarão em shoppings.


Fonte: Valor Econômico
04/09/2008