Shopping fatura R$68 bi e prevê novo "boom"
 


Com mais de R$13 bilhões levantados pelas cinco principais empresas do setor de shopping center na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) este ano, a perspectiva desse volume ser todo aplicado em novos empreendimentos indica que o setor viverá um novo boom nos próximos três anos, mesmo depois do crescimento acelerado desse mercado, que prevê, em 2008, faturar 12% a mais do que em 2007, alcançando R$68 bilhões e 622 malls instalados no País.

A afirmação veio do presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, que disse, em entrevista exclusiva ao DCI, haver previsão de o setor vivenciar um momento bastante favorável no médio e longo prazos, mantendo os níveis elevados de taxas de crescimento, como a vista pela BR Malls, por exemplo, uma das líderes desse mercado e que, há pouco mais de um ano no País, já responde por cerca de 30 empreendimentos.

Outro termômetro da expansão dos shoppings são os anúncios recentes de empresas de ramos como o setor supermercadista, empresários do varejo de veículos e a indústria farmacêutica, afirmando terem planos de também disputar esse mercado, que cresce a taxas chinesas. Para o especialista, vale ainda o destaque de que o País cresce entre 4% e 5%, e, se a inflação for mais controlada, o Brasil tem potencial de crescer mais que países emergentes, como China e Rússia.

"Na área do petróleo temos a descoberta, a cada mês, de novas jazidas. Se a exportação melhorar um pouco mais, poderemos ter um desempenho melhor em nossa conta corrente. Por conta de indicadores saudáveis, o Brasil já alcançou seu grau de investimento (investment grade). Logo, tem muito dinheiro nos fundos e, sem dúvida, o Brasil é um mercado atrativo, com os segmentos varejista e de shoppings estando entre os que mais contratam no País", acredita o executivo.

ITU
Quem está atento à forte demanda dos centros de compras, que mantém bons índices de vendas devido ao aumento da renda da população e ao maior número de pessoas trabalhando longe de casa, o que impulsiona as vendas inclusive das redes de alimentação fora de casa (food service), a maior parte delas instaladas em shoppings, é o Grupo Gandini, com atuação nas áreas automotiva, imobiliária, agropecuária e de serviços. Pensando nisso, a empresa lançou o empreendimento comercial Praça Bogliaco, em Itu, interior de São Paulo.

Na construção do mall serão investidos R$35 milhões, sendo que R$10 milhões referem-se ao valor do terreno, de 37 mil metros quadrados, que já é de propriedade do grupo. O empreendimento terá duas fases. A primeira será a de construção do Tenda Atacado, a principal loja-âncora do projeto, que prevê início de funcionamento em dezembro deste ano. A segunda fase, com início previsto para 2009, será entregue em fevereiro de 2010.

O centro comercial terá 200 unidades modulares no total - que podem ser lojas de varejo, escritórios em geral, consultórios médicos e odontológicos -, praça de alimentação e 530 vagas de estacionamento. "Observamos que na região há carência de lojas e salas comerciais. Por isso, entendemos que o Praça Bogliaco tem ótimas perspectivas", diz José Luiz Gandini, presidente do grupo e dono da Kia Motors no Brasil.

De acordo com Gandini, não serão vendidas as unidades modulares. "Haverá somente locação de uma ou mais unidades modulares. E, como as demandas são diferentes de uma atividade para outra, vamos entregar a obra de modo a que o locador possa finalizá-la segundo sua conveniência", argumentou.

EMPREENDEDOR
Assim como José Luiz Gandini demonstra tino empresarial ao diversificar a atuação e entrar no mercado de malls, o presidente da Alshop é outro exemplo de empreendedorismo. Atualmente, ele é também investidor do grupo Burger King e da Bob Store, no segmento de moda feminina.

Há 14 anos à frente da Alshop, Nabil Sahyoun se tornou referencial no varejo. Nascido no Líbano em 1954 e vindo pequeno para o Brasil, aos 19 anos abriu seu primeiro negócio em São Caetano do Sul (SP), a Peggy Confecções, que mais tarde originou a rede de lojas Kuxixo, que chegou a ter 25 lojas no Brasil e duas no exterior. Também foi proprietário de lojas da marca 7.5.

De acordo com Nabil, quando a rede de franquias de fast-food Burger King estava se estruturando para entrar no Brasil, pelas mãos do empresário Luiz Eduardo Batalha, foi realizada uma reunião com um grupo de amigos e ele foi chamado para falar sobre a importância dos shoppings, principalmente às empresas na área de alimentação. "Foi quando me convidaram para ser parceiro. Quando vi a plataforma de trabalho do grupo, achei interessante e pensei: vou entrar nessa porque dificilmente vai dar errado, vendo o sucesso de redes como McDonald's e Bob's, por exemplo. Apostei no projeto e não estou arrependido. A marca, ao longo de três anos, teve boa participação. Não trabalho nada e tenho as minhas ações valorizadas", brincou.

Formado em Administração de Empresas e com mais de 35 anos de experiência no comércio varejista, Sahyoun mantém-se no cargo de presidente da Alshop, segundo especialistas do setor, também graças a sua postura contestadora e agregadora. Tanto que conquistou posições importantes no cenário nacional, tornando-se referência em assuntos voltados ao varejo e à indústria de shoppings, como variações na taxa juros, índices gerais do varejo, créditos, débitos e inadimplência, formação de estoque, liquidação e questões relativas à macroeconomia do País.

Em 2001, pronunciou-se sobre os efeitos da crise energética que provocou racionamento nos shoppings e defendeu os lojistas quanto ao reajuste do IPTU em São Paulo: a proposta da prefeitura era de 125%, e Sahyoun conseguiu que o aumento ficasse em 60%. Transformou a Alshop de um grupo de 30 participantes em uma associação com mais de 17 mil associados e teve seu trabalho reconhecido pela Câmara Municipal de São Paulo, que lhe deu o título de Cidadão Paulistano.


Fonte: DCI
05/09/2008