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O prefeito e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab, sugeriu ontem que Marta Suplicy (PT) mude a postura na disputa eleitoral. "Eu a convido a elevar o nível da campanha", disse ele, em resposta à candidata, que qualificou a gestão atual de "medíocre" durante sabatina realizada pelo jornal O Globo na quarta-feira. Para Kassab, é preciso discutir propostas e comparar o que cada um fez. "Eu queria que os debates fossem em alto nível. São Paulo merece isto", completou.
A petista também havia reclamado que Kassab abusa de ataques contra ela por ser constrangedor para ele falar mal de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. O prefeito desmentiu a versão, após inaugurar comitê em Santo Amaro, na zona sul, na manhã de ontem. "Eu não faço crítica a ninguém, eu mostro como estava a cidade e como ela está hoje."
Durante o evento, Kassab demonstrou confiança em obter votos do paulistano, graças aos resultados nas pesquisas. "No último fim de semana tivemos 40% de aprovação do nosso governo. Se está bom, para que mudar?", perguntou.
Ao lado de autoridades, como o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, a ex-deputada federal Zulaiê Cobra e os subprefeitos de Santo Amaro e Cidade Ademar, Geraldo Mantovani Filho e Edilberto Ferreira Beto Mendes, respectivamente, o candidato do DEM enfatizou a importância do programa Cidade Limpa, principal marca do seu governo.
"O Cidade Limpa é mais do que combater a poluição visual. Hoje as ações da prefeitura atingem mais de 200 mil famílias com urbanização de favela, eliminação de cortiços", afirmou. A explicação pode ter sido uma resposta à provocação de Marta de que o programa, apesar de bom, não resolve questões estruturais.
Zulaiê aproveitou o "palanque" para criticar a declaração da candidata petista sobre o apoio exclusivo do presidente na campanha. "A [ministra da Casa Civil] Dilma Rousseff falou que o Lula vai dar dinheiro para o metrô, independentemente de quem seja eleito", disse. Para ela, Kassab usa a mesma estratégia, só que de maneira diferente. "Ele diz 'eu e o [José] Serra nos damos bem', mas não fala para ninguém que o governador não vai ajudar se o prefeito for outro", explicou.
CAMINHADA Antes de inaugurar o comitê, Gilberto Kassab passou pelos comércios da avenida Nossa Senhora de Sabará, em Interlagos. Lá, cumprimentou eleitores e ouviu reclamações de moradores, como a de Cláudio Volpe, cujo pai é cadeirante. "Não dá para andar com uma pessoa de cadeira de rodas nestas calçadas", disse.
De acordo com Beto Mendes, a demanda da comunidade foi anotada e será encaminhada à Subprefeitura de Santo Amaro, responsável pela região. Ele aproveitou para citar os investimentos feitos por Kassab nessa questão. "O prefeito tem tratado todas as subprefeituras com muita atenção na hora de divisão de recursos e deixa sempre uma parte para cuidar de acessibilidade", disse.
MALUF CRITICA ALCKMIN O ex-prefeito de São Paulo e candidato às eleições deste ano, Paulo Maluf (PP), criticou a obra feita no Tietê na gestão do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Se eu tivesse que chamar um cirurgião, eu chamaria o Alckmin. Agora, se é para construir uma obra de engenharia, chame o Paulo Maluf", disse, durante sabatina do Grupo Estado.
O candidato explicou que "o rio, em vez de ficar um rio, ficou um lago, uma represa. O que tinha de ser feito eram as colunas de contenção. Então, você teria o rio correndo mais rápido e sem enchentes". "Nós vamos fazer as paredes verticais do rio, e, no que sobra de espaço, vão ser 6 faixas de tráfego de cada lado", disse.
O candidato do PP também acusou a adversária petista, Marta Suplicy, de mentir na propaganda eleitoral gratuita quando diz que construirá 47 quilômetros de metrô se for eleita.
Para Maluf, a proposta dela para o metrô não passa de "rabiscos" em um mapa. Lembrou que o metrô é responsabilidade do governo de São Paulo, e não da prefeitura. Além disso, disse que de 1968 a 2008 os prefeitos e os governadores construíram 50 quilômetros de metrô - na verdade, a malha metroviária hoje é de cerca de 61 quilômetros.
Maluf disse que a prefeitura pode auxiliar o governo a ampliar a malha metroviária, e citou como exemplo o atual prefeito, Gilberto Kassab, que promete investir R$1 bi até o fim de seu mandato. "Mas metrô é de competência jurídica do governador. É como se ela [Marta] prometesse construir um submarino atômico e vocês acreditassem", explicou o ex-prefeito.
Fonte: DCI 05/09/2008 |