Só subsídio congelaria tarifa de ônibus
 


A promessa do prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), de manter a tarifa de ônibus sem reajustes até o final de 2009, caso seja reeleito, só será possível com a política de aumento dos subsídios, que é adotada por sua gestão desde 2006, quando ele assumiu o cargo deixado pelo atual governador, José Serra (PSDB).

Anteontem, em sabatina promovida pelo Grupo Estado, Kassab anunciou que a passagem, que hoje é de R$2,30, será congelada até 31 de dezembro de 2009. "Vamos tirar recursos de outros lugares. Temos de privilegiar as pessoas que precisam", afirmou ontem o prefeito, após visitar uma escola de ensino fundamental na zona sul.

Ele negou que a medida fosse eleitoreira. "Em 2007 também mantivemos a tarifa sem reajustes e não era um ano eleitoral", lembrou.

O último aumento de tarifa em São Paulo aconteceu em 25 de novembro de 2006, quando o prefeito ainda era o atual governador, José Serra (PSDB). O valor passou de R$2 para os atuais R$2,30 - reajuste de 15%.

De 2005 até agosto deste ano, o valor médio mensal de subsídios saltou de R$18,66 milhões para R$43,75 milhões, o equivalente a 130% de aumento em quatro anos. Em 2004, último ano da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), a média dos subsídios mensais foi de R$23,33 milhões.

Kassab negou qualquer favorecimento às empresas de ônibus da cidade. "Não é favorecimento, as empresas recebem o previsto no contrato. Não vão receber nem mais nem menos."

O prefeito lembrou ainda que o contrato em vigor com as 13 empresas de ônibus foi assinado na gestão da petista. "São os mesmos contratos que estamos aumentando a fiscalização e combatendo a fraude e, com isso, economizando mais".

No final do mês passado, a prefeitura concedeu R$30 milhões em subsídios e outros R$30,15 milhões para o "gerenciamento do transporte coletivo". Isso menos de quatro meses após o contratos com as viações ser reajustado em 4,24%.

Após a sabatina, Kassab garantiu que a prefeitura tem saúde financeira para tanto. "Não é subsídio. É vinculação. À medida que você não tem recursos novos do Tesouro, porque o recurso sempre é do Tesouro, então é evidente, porque as empresas são remuneradas pelo contrato", explicou.

RESSALVA
Especialistas fazem ressalvas à política de congelamento de tarifas com base na política de aumento de subsídios. O superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Marcos Pimentel Bicalho, diz que há outras formas de se equilibrar a tarifa, sem que haja contrapartidas.


Fonte: O Estado de S. Paulo
05/09/2008