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No Brasil, as reservas de petróleo da camada pré-sal fazem os analistas pedirem cautela na definição da agenda pós-2015. Para a maior parte dos consultores a principal preocupação é o câmbio, que tem peso estratégico nos planos nacionais.
"Se o Brasil virar um exportador de petróleo, podemos ter uma taxa de câmbio a um nível tão baixo, com sobrevalorização do real, a ponto de inviabilizar outras atividades que não estejam ligadas a esta cadeia produtiva", diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.
Para escapar da desindustrialização do País, Gonçalves defende a intervenção oficial na regulagem do câmbio. Segundo ele, é necessário estabelecer uma regra que contemple a rentabilidade mas que atenda certo nível de taxa de câmbio compatível com um mínimo de diversificação econômica do País.
Além da intervenção no câmbio, o planejamento de longo prazo é uma imposição diante dos desafios do pré-sal. "É a nossa lição de casa do presente: fazer um planejamento. Não temos tradição nisto com democracia. O Brasil deveria começar a pensar como países desenvolvidos e multinacionais fazem, planejando os próximos 20 anos", diz Fábio Silveira, da RC Consultores.
No longo prazo, diz Silveira, o País tem três pilares para o crescimento: processo de interiorização da renda em marcha (capitaneado pelo agronegócio), mão-de-obra de 80 milhões de jovens chegando ao mercado entre 2000 e 2020 e urbanização consolidada nas cidades de médio porte.
Neste cenário, surgirão novos desafios para os quais os recursos do pré-sal seriam decisivos. "O dinheiro deveria ser guardado para fazer frente ao problema estrutural da Previdência. Hoje a situação previdenciária é positiva por conta do crescimento forte, da alta formalização e da renda maior, mas em duas décadas a entrada de recursos vai diminuir", diz Sérgio Valle, economista-chefe da MB Associados. Ele critica o discurso oficial sobre destinação dos recursos do petróleo para a educação. "É mais uma tentativa de desperdiçar dinheiro público. Até agora o que se fez com as verbas destinadas à educação?"
Fonte: Gazeta Mercantil 08/09/2008
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