FHC aconselha PSDB a "não ter papas na língua"
 


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encorajou o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), a ser mais veemente na comunicação com os eleitores. Assim como o governador José Serra, que o antecedeu ao microfone durante jantar pelos 20 anos do PSDB, Fernando Henrique afirmou que os tucanos não devem levar em consideração apenas a disputa municipal, mas o futuro. "Nós vamos ganhar agora aqui. Mas nós precisamos ter em vista 2010." 

Sem indicar alvos, FHC exortou Alckmin a ser mais enfático. "Tem que brigar e não tem que ter papas na língua. Dizer as coisas como são. Ladrão se chama de ladrão. Enganador é enganador. Se é falso, tem de dizer que é falso. Tem de dizer com sinceridade, com firmeza. Quando a gente fala, a população sente", disse o ex-presidente.

Sem citar o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), o ex-presidente disse que Alckmin será sucessor de Serra na Prefeitura.

"Temos de mostrar que nós amamos essa cidade. Essa cidade está sendo remodelada por nós e vai continuar sendo remodelada por nós. O Geraldo tem mais do que projeto. Ele tem conhecimento que ele herdou da administração do Serra e vai levar adiante. Assim como o Geraldo herdou do Mário Covas. Nós estamos enraizados nesta cidade. É preciso mostrar ao povo de São Paulo o nosso amor, com simplicidade. "

Fernando Henrique deu razão a Alckmin e a Serra que elogiaram os avanços obtidos pelo país durante seus dois governos ( 1994 a 2002) na estabilização da economia e na construção de uma rede social. FHC até elogiou o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas fez reparos.

"O governo atual tem avançado. O arcabouço está aí. Mas é como se tivesse cupim dentro. Realizam acanhadamente ou pendularmente porque não têm convicção."

Em discurso para a militância, FHC estimulou os tucanos a não abrir mão de seu jeito de ser. "Temos um certo estilo. Não vamos nos acafajestar. Não podemos imaginar que o Brasil é composto de uma escória. "

Ele também disse que o partido precisa expor melhor seus projetos e dar mais visibilidade a projetos como a extensão do Bilhete Único ao Metrô e a remodelação do Centro de São Paulo. "Não somos bons em cacarejar. Temos que gritar esse plano de transporte que o Serra apresentou."

Descontraído, FHC brincou com a platéia e com seus colegas de palco. "Aqui se falou que é muito importante citar as mulheres. Na minha mesa não tem uma mulher. Está errado", afirmou.

FHC também respondeu ao presidente do diretório municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo. "O Lobo disse que eu pensava que era Deus. Meu Deus! Eu sou um pobre pecador arrependido."

O ex-presidente, que tem 77 anos, e o governador José Serra, que tem 66, brincaram com a idade um do outro.

Serra disse que, por reverência, chegou a considerar a idéia de tratar FHC como tio, mas desistiu ao perceber que a diferença de idade entre os dois é pequena. Em protesto, enquanto Serra falava, FHC fazia sinal negativo com o indicador. Ao assumir o microfone, FHC afirmou: O Serra até chegou a dizer que é meu irmão. É. Mas o mais velho."


Fonte: G1
11/09/2008