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Às vésperas de comemorar 90 anos de Brasil, em 2009, a multinacional francesa Rhodia tem muitos motivos para comemorar. Desde a chegada, o País tem se revelado um bom investimento, tanto que hoje a subsidiária local já está no seleto grupo do faturamento superior a 7 dígitos: US$1,2 bilhão, o que representa 90% do movimento da América Latina ou 17% da receita da companhia no mundo. Esse volume é um diferencial no setor químico, pois na região poucas empresas alcançam tanto peso nas operações globais.
"Sempre tivemos sorte no Brasil, a começar pela compra da antiga fazenda de café, em 1942, que deu origem ao complexo alcoolquímico de Paulínia", diz o presidente da Rhodia, Marcos De Marchi. Como, na época da guerra, o Brasil não conseguia trazer álcool, a Rhodia iniciou a produção local. Hoje, o negócio de solventes provenientes de etanol é tão importante para a empresa, que Paulínia já abriga uma fábrica de escala mundial, para atender um segmento que cresceu 13 vezes em 10 anos. Graças a isso, nos últimos três anos, o centro dobrou sua capacidade, com investimentos de US$60 milhões, passando a produzir 300 mil toneladas de solventes oxigenados (derivado de etanol e acetona).
Isso colocou a companhia em segundo lugar no mercado europeu e elevou o Brasil ao comando do negócio solventes para o mundo inteiro.
ÁLCOOL "Apostamos no álcool quando ninguém imaginava que ele se tornaria a nova matriz energética", afirma o vice-presidente da Rhodia, Mario Lindenhayn, que também é responsável pelos alcoolquímicos, setor que hoje já representa 30% do negócio como um todo. Da produção de solventes, 45% é exportada para mais de 60 países, sendo o segundo maior fornecedor para Europa, região que a partir de janeiro adotará regras muito rígidas para comercialização de substâncias químicas e derivados.
"As regras são muito rígidas, mas já sabemos que sem ser sustentável, em químicos ou em qualquer outro negócio, não haverá futuro", afirma De Marchi.
Mas não é só na área de solventes que a Rhodia acertou a mão. "Acreditamos no mercado de náilon para pneus de motos, caminhões e tratores, justamente os que mais crescem hoje", brinca De Marchi. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as motocicletas já representam 70% do mercado total de veículos. Além disso, os automóveis, outro segmento que cresce 27% em média no País, já carregam cerca de 10 quilos de poliamida. Alguns como o Idea Adventure, da Fiat, chegam a carregar até 20 quilos. Plásticos de Engenharia crescem a uma taxa de 10% ao ano, segundo o presidente De Marchi. O náilon já responde por 10% do faturamento.
ENERGIA Energia é outro grande foco da Rhodia no mundo inteiro e surgiu mais por conta das necessidades especiais das fábricas da empresa. "Só com o que reduzimos em emissões em nossas fábricas, equivale a retirar 1,2 milhão de automóveis das ruas", explica De Marchi. Uma das maiores consumidoras de gás e energia elétrica, a companhia começou a gerenciar melhor seus recursos globalmente. Hoje, cerca de um quinto dos créditos de carbono são gerados pela Rhodia, de acordo com Elder Martini, vice-presidente da companhia para a América Latina na área de compras e logística em energia.
"Nosso conhecimento no assunto foi tão além, que a empresa firmou uma joint venture com o Societe General para essas ações no mundo", acrescenta. Dessa união, surgiu a Orbeo que negocia créditos de carbono para terceiros. No Brasil, a Rhodia só tem cogeração nos próprios sites.
"Mas estamos atentos às oportunidades de investimentos, especialmente com esta falta de disponibilidade de energia para o futuro", afirma o executivo.
Fonte: Gazeta Mercantil 11/09/2008 |