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O governo bem que vem tentando esfriar o mercado de crédito. Seja por meio de algumas medidas pontuais, como o aumento da alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no início deste ano, seja via a atual alta de juros. A menos que o cenário atual se transforme completamente, nada disso surtirá efeito na avaliação de analistas do mercado financeiro, que contam com a continuidade da robustez desse setor, e não só para o curto prazo. "Não estamos, nem de longe, vendo o final do ciclo de expansão do crédito", disse a economista do Banco Itaú Ana Carla Abrão. "Devemos ter pelo menos mais dez anos de expansão, sendo os primeiros cinco anos de crescimento forte e os cinco demais, de acomodação a taxas elevadas."
Apesar desta avaliação positiva, economistas acreditam que alguma desaceleração da taxa de crescimento possa ser vista nos próximos anos. Mas isso ocorrerá, de acordo com eles, de forma muito tênue e mais por conta de uma postura preventiva do setor bancário, principalmente com a possibilidade de aumento da inadimplência da pessoa física do que necessariamente por conta de fatores como encarecimento e escassez de funding.
Pelos cálculos de Philip Wagner, economista do Unibanco, o crescimento do crédito este ano, comparativamente a 2007, será de 24%: o segmento de pessoa física se expandirá 27% e o da jurídica, 28%. Os percentuais, se confirmados, serão inferiores aos verificados no ano passado (de 28%, 33% e 32%, respectivamente), mas mesmo assim superarão o prognóstico do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Em vez de [o crédito] crescer a 30%, deve crescer de 15% a 20%; já cairia este ano. Continua o crescimento, mas de forma moderada, de forma que seja sustentada", disse Mantega, na semana passada.
Para o economista da Tendências Consultoria Integrada Bruno Rocha, alguma desaceleração pode ser vista já no segundo semestre, mas num ritmo "muito menor do que o ministro está esperando". No ano passado, o crescimento dos empréstimos para pessoa física foi de 27,8% em termos reais e, até julho, passou a ser de 22,8%. Ao final do ano, deve chegar a 21,4% já descontada a inflação e, em 2009, a 17,4%. "É uma desaceleração, mas mesmo assim a expansão é robusta".
Para 2009, as projeções do Unibanco são de 22% para a expansão total do crédito em termos nominais, com taxa de 21% da pessoa jurídica e de 23% da física. "Em julho, vimos uma desaceleração mais forte do crédito, mas isso não é uma tendência", afirmou. Ana Carla, do Itaú, prevê um crescimento nominal perto de 30% este ano e próximo a 20% em 2009. "Mas isso não é nada preocupante", resumiu, acrescentando que a continuidade do crescimento é natural em meio a um ambiente positivo para a economia brasileira e, em especial, para o mercado de trabalho. Rocha, da Tendências, salienta que já começa a ser visto um encarecimento dos serviços provenientes do aumento da taxa de juros, mas que os prazos continuam longos.
Fonte: DCI 11/09/2008 |