Ministério Público denuncia Jefferson
 


Três anos depois de deflagrar o escândalo que abalou a República, o deputado cassado Roberto Jefferson foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal, como chefe da quadrilha que, entre 2003 e 2005, organizou o esquema de desvios de recursos da Empresa Brasileira de Correios (ECT) - a origem do mensalão - para levantar fundos de campanha para o PTB, integrante da base governista.

Estruturado numa estatal com orçamento anual de R$10 bilhões, o esquema do PTB, segundo os procuradores, repetiu o que ainda é uma prática sistêmica comum de corrupção na máquina pública: lotear as estatais e autarquias para extorquir empresas com negócios no governo usando correligionários indicados pelos partidos e o lobby profissional.

As planilhas de arrecadação de propina apontam que, num espaço de um ano e meio, o PTB se apropriou de mais de R$5 milhões - cálculo estimado pela Controladoria Geral da União (CGU) - a maior parte recolhida aos cofres do partido e a menor dividida entre os integrantes da quadrilha.

Acobertado por investimentos no mercado, o rombo não diagnosticado é bem maior e pode ser ilustrado pelo balancete dos Correios. Em vez de continuar especulando no mercado financeiro, a estatal passou a se dedicar à atividade-fim depois que o esquema do PTB foi desarticulado e, no ano passado, obteve lucro da ordem de R$800 milhões, um recorde histórico.

A atividade-fim - que consistia basicamente na venda de produtos e serviços - era dominada pelo PTB. O detalhamento do esquema, com testemunhos e documentos, foi feito pelo ex-diretor de Compras dos Correios Maurício Marinho, o ex-funcionário da estatal cooptado por Roberto Jefferson que aparece no vídeo embolsando a prosaica propina de R$3 mil. Marinho perdeu o emprego, mas fez um acordo de delação premiada e, se a quadrilha for condenada, poderá ter sua sentença transformada em perdão total.

No organograma da organização criminosa, Jefferson aparece no topo, seguido pelo ex-deputado e ex-presidente da ECT, João Henrique de Almeida Souza e o ex-presidente da Eletrobrás Roberto Salmeron. Na ponta operacional aparecem o ex-diretores Antônio Osório, Fernando Godoy e Maurício Marinho.


Fonte: Gazeta Mercantil
12/09/2008