Claro ultrapassa a TIM, assume segunda posição e mira a Vivo
 


A Claro, controlada pela América Móvil, voltou a assumir a segunda posição no ranking do mercado de celular, ultrapassando a TIM em número de assinantes. Isso porque, antes de ser comprada pela holding mexicana, a empresa era líder no segmento sob a marca BCP. A Claro encerrou agosto com 34,732 milhões de clientes e 25,092% de participação de mercado (market share), enquanto a TIM encerrou o mês com 25,087%, somando 34,726 milhões de assinantes. Ou seja, a diferença entre as duas é de apenas 5,778 mil celulares. Agora, a Claro visa chegar na Vivo.

"Desde que eu assumi, meu objetivo sempre foi alcançar a liderança. Ultrapassar a TIM e retomar a segunda posição foi apenas um passo no nosso caminho", afirmou João Cox, presidente da Claro, ressaltando que nos últimos dois anos a Claro foi a operadora responsável por mais adicionar clientes a sua base.

O resultado deste mês foi preponderante para a operadora assumir a segunda posição, já que, seguindo a tendência do ano, a Claro foi a melhor em adições líquidas em agosto, com 1,012 milhão de novos clientes, enquanto a TIM conquistou apenas 547 mil, obtendo o pior desempenho entre as quatro maiores. Sobre a perda da segunda posição para a Claro, a TIM afirmou que "considera a participação de mercado importante, porém sempre priorizou a rentabilidade". Ainda na disputa do mercado, a Vivo manteve a liderança, mas viu sua participação recuar de 30,25%, em julho, para 30,12%, em agosto. Já a Oi, que ocupa a quarta posição, ganhou share, chegando a 15,62%, ante 15,48% do mês anterior.

Mesmo após alcançar o segundo lugar, a Claro manterá sua política comercial agressiva. "Minha estratégia não vai mudar, vou manter o forte subsídio de aparelhos e as promoções em relação a tarifas. O que pode mudar é minha tática de atuação, de acordo com a ação de minhas concorrentes", comentou Cox.

RECEITA
Em relação a receita TIM ainda mantém vantagem. A operadora de origem italiana obteve receita líquida de R$3,186 bilhões no segundo semestre, ante R$2,849 bilhões da Claro. No entanto, Cox aponta que isso se deve em grande parte pelo fato de a TIM ter um serviço de longa distância e contabilizar esta receita em seus resultados financeiros, enquanto a Claro repassa o valor para a Embratel, já que não conta com nenhum serviço de longa distância. "A da TIM também não deveria ficar com ela, como ocorre hoje com a Vivo que precisa depositar essa receita para a Telefônica. As regras que valem para a Vivo também deveriam valer para a TIM, afinal a Telefônica é acionista indireta da TIM, pois tem parcticipação no controle da Telecom Italia", disse Cox.

Mesmo assim, o executivo acredita ser possível alcançar a TIM quando o assunto é receita. "A diferença tem caído. É só olhar a participação da Claro na receita líquida das operadoras e ver que este número está diminuindo pouco a pouco. É questão de tempo para passarmos a TIM também em receita".

MISSÃO
No entanto a nova missão da operadora é mais árdua, já que a Vivo conta atualmente com cerca de 40 milhões de clientes, mais de cinco milhões a mais do que sua rival. No entanto, essa diferença não assusta Cox, que ressalta que a Claro passou pelas mesmas dificuldades quando estava atrás da TIM, já que iniciou este ano com uma diferença de cerca 1,1 milhão de clientes.

No entanto, a Claro tirou essa diferença em oito meses, já que foi a que mais adicionou. Neste ano, a Claro somou 4,5 milhões de novos clientes, seguida de perto por Vivo e Oi, com 4,3 milhões e 4,166 milhões, respectivamente. A TIM amarga o pior desempenho, acumulando apenas 3,458 milhões de adições. Com isso, tira a diferença da Vivo aos poucos.

"Nossa meta é a liderança e vamos galgando nosso espaço passo a passo, assim como fizemos para retomar o segundo lugar", frisou Cox. Além disso, o presidente da Claro aposta na portabilidade para se aproximar mais perto da liderança, já que, segundo ele, "a cada dois clientes que saem da Claro, outros dois entram na base da operadora". Outro trunfo para encostar na liderança é a cobertura de 3G, na qual a Claro é lider, com 125 cidades cobertas com a nova tecnologia. Enquanto isso, a Vivo detém apenas 42 municípios com cobertura de 3G, sendo que sua rede foi lançada na semana passada.

SÃO PAULO
Sobre a disputa mais acirrada no mercado paulista com a entrada da Aeiou e da Oi, mês que vem, Cox aponta que estas devem pressionar as margens para baixo, mas nada "que não seja esperado pelas operadoras, já que as margens do final do ano sempre são apertadas devido ao Natal".


Fonte: DCI
19/09/2008