Lula lamenta a quebra de 'bancos palpiteiros'
 


O presidente Luiz Inácio da Silva disse ontem que vê com tristeza os bancos dos Estados Unidos que ditavam os rumos da economia mundial, quebrarem. "Eu vejo com uma certa tristeza bancos importantes, que passaram a vida dizendo o que a gente deveria fazer ou não fazer, que passaram a vida medindo o risco deste país, que passaram a vida fazendo propaganda para investidores se o Brasil era confiável ou não", afirmou.

O presidente reafirmou que o Brasil vai ser pouco afetado pela crise financeira norte-americana caso ela se aprofunde mais, porque o País não está mais dependente do comércio com os Estados Unidos. "Este momento que estamos vivendo é um momento singular. Nós temos US$207 bilhões de reservas, que é um colchão importante para a gente enfrentar a crise, porque não dependemos do fluxo da balança [comercial] com os Estados Unidos", explicou Lula.

De acordo com o presidente, o País hoje diversificou a relação comercial com a América Latina, com a África, o Oriente Médio, os países da Ásia. "Nós hoje somos mais independentes nessa relação comercial e isso nos permite ter mais flexibilidade e ao mesmo tempo ficar de olho no que está acontecendo na economia mundial, porque a economia norte-americana em crise vai causar problemas em algum lugar", afirmou.

O presidente se ofereceu para ser "mascate" dos produtos brasileiros no exterior como forma de enfrentar a crise financeira global. Lula disse ter conversado com o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Paulo Tigre, sobre a necessidade das empresas brasileiras buscarem novos mercados para os seus produtos.

"Nós, que produzimos máquinas e equipamentos agrícolas como poucos países do mundo, não podemos ficar esperando apenas a Alemanha, a França ou a Suécia comprarem nossas máquinas. Temos que vender nossas máquinas em países que têm possibilidade de comprar, que estão crescendo", disse Lula a jornalistas após a cerimônia de batismo da Plataforma P-53, em Rio Grande (RS).

Lula citou a África como um mercado a ser explorado para os produtos brasileiros. "Estou à disposição de viajar pelo continente africano vendendo máquina, trator, o que tiver para vender. Eu não terei problema de ser mascate do Brasil para colocar o seu produto no mundo para enfrentar a crise financeira americana."

O presidente voltou a garantir que a crise não chegou ao Brasil até agora, mas que o primeiro sinal visível é que os créditos internacionais começam a rarear para países e empresas.

Lula também manifestou ontem preocupação com a proximidade da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos da fronteira marítima brasileira.

O presidente lembrou que já teve chance de abordar o assunto com o presidente norte-americano, George W. Bush, e que o chanceler Celso Amorim também tratou do tema com a Condoleezza Rice. "Obviamente que nós estamos preocupados", afirmou, na entrevista, após participar da solenidade de batismo da plataforma P-53 da Petrobras, na área do Porto Novo de Rio Grande (RS).

"Eles (EUA) dizem que não é nada, é apenas uma coisa de pesquisa", prosseguiu Lula. "De qualquer forma, nós estamos preocupados porque é muito próximo da fronteira marítima brasileira e nós achamos que não precisamos de Quarta Frota", completou Lula, que também havia feito referência à presença da guarnição durante seu discurso no evento de batismo da P-53.

"O que precisamos é que a Marinha brasileira tome conta das nossas plataformas e do nosso pré-sal, porque nós somos um País tranqüilo, não falamos em guerra, falamos em paz, não queremos conflito, queremos desenvolvimento, e penso que é isso que conta na política externa brasileira", finalizou Lula.

A Quarta Frota estava desativada desde a Segunda Guerra Mundial e foi colocada em operação no segundo trimestre deste ano, sendo recebida com críticas de movimentos ligados à esquerda na América Latina, especialmente na Venezuela e na Bolívia.


Fonte: DCI
19/09/2008