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Mais do que tomar pulso dos desdobramentos das medidas dos maiores bancos centrais do mundo, a viagem às pressas do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para os EUA, na quarta-feira, foi uma tentativa do governo de conseguir "vender" o Brasil como uma alternativa segura em meio a mercados em ebulição.
Segundo a Folha apurou, a missão de Meirelles como embaixador de uma economia sólida foi definida na véspera pelo presidente Lula. Apostando no bom trânsito que o presidente do BC tem na comunidade financeira mundial, Lula despachou Meirelles para fazer política e vender confiança.
A avaliação dentro do governo é que participar de debates com investidores e autoridades financeiras pessoalmente também garante ao presidente do BC uma melhor percepção da conjuntura para poder orientar sua equipe no Brasil.
Na avaliação de integrantes do governo ouvidos pela Folha, na pior das hipóteses, "mal não fará". Mesmo que Meirelles, ex-presidente mundial do BankBoston Corporation e do Global Banking no FleetBoston Financial, não volte para o país com a garantia de abertura de linhas de crédito para as empresas privadas, uma das preocupações atuais da equipe econômica, poderá, pelo menos, assegurar que as já existentes serão mantidas.
Um temor do governo é que as linhas já acordadas e que são liberadas em parcelas, conforme a necessidade do banco no Brasil, sejam reduzidas pelo fornecedor do crédito. Isso afeta diretamente o financiamento ao comércio exterior.
Também estão sob o risco de secarem as linhas tomadas lá fora e repassadas internamente para financiar o consumo de bens, como veículos.
O presidente Lula acredita que, indo aos EUA, Meirelles poderia destacar as melhoras e o potencial do Brasil, especialmente os benefícios que o governo espera colher com as descobertas de petróleo no pré-sal brasileiro.
Fonte: Folha de S.Paulo 19/09/2008 |