Ação da Cosan cai a menor valor desde estréia na bolsa
 


Novamente os acionistas da Cosan vêem os papéis da sucroalcooleira derreter na bolsa. E, desta vez, atingiram a menor cotação desde a estréia, em novembro de 2005. A ação fechou ontem a R$13,94, em baixa de 8%. Nos últimos dias, entrou em queda acentuada, com a divulgação de números fracos no primeiro trimestre fiscal de 2009, com prejuízo, refletindo a retração dos preços do açúcar e álcool. Além disso, a ação sofreu renovada pressão vendedora com a divulgação de aumento de capital privado de R$880 milhões anteontem. A crescente alavancagem da empresa, que precisa de recursos para concretizar projetos e a compra dos ativos da Esso no Brasil, levou a agência de avaliação de risco Moody's a rebaixar os ratings de moeda estrangeira e escalas global e nacional , com perspectiva negativa. 

Os recursos do aumento privado de capital serão usados para investimentos em nova fábrica em Goiás, no Uniduto Logística, empresa criada em parceria com Copersucar e Crystalsev para construir e operar malha de dutos para transportar etanol do interior para o litoral paulista, além de financiar parte da compra da Esso - este pagamento deverá ser feito em dezembro. Esta compra foi anunciada em abril, por US$862 milhões.  

Na operação de aumento de capital, serão emitidas 55 milhões de ações, a R$16,00 cada uma e com base na cotação do mercado. Na sexta-feira, quando foi feito anúncio, a ação fechou a R$16,22, mas de lá para cá caiu muito. Ou seja, os acionistas que exercerem o direito de compra das ações aceitarão capitalizar a empresa por um valor acima do preço atual na bolsa. Para incentivar a adesão, a Cosan oferece, a cada nova ação adquirida, um bônus que dará o direito de subscrever 0,6 papel também ao preço de R$16,00 e que poderá ser exercido até 31 dezembro de 2009. 

Ou seja, mais uma vez a Cosan solicita aos acionistas que lhe dêem um voto de confiança com pensamento de investimento de longo prazo. Isso apesar da relação desgastada com o mercado - ano passado, o controlador, Rubens Ometto, abriu o capital da holding, a Cosan Limited, na bolsa americana e ofereceu a possibilidade de migração aos minoritários, mas criou para si uma ação ordinária diferenciada, que lhe conferia superpoderes de voto. E apesar também, segundo comenta a análise da Lopes Filho, da falta de retorno apresentada pelo setor sucroalcooleiro. Os R$16,00 fixados para o aumento de capital estão próximos do preço determinado para os papéis da Cosan na abertura do capital, que seria em torno de R$15,5, pós-desdobramento, segundo a Economática. 

Além do aumento de capital, a Cosan também aprovou a contratação de até US$800 milhões em financiamentos - US$500 milhões em uma linha do Bradesco e o restante via operações de adiantamento sobre contrato de câmbio, junto ao Banco Calyon Brasil. 

Após os anúncios, a Bradesco Corretora manteve a recomendação de compra para as ações, mas reduziu o preço-alvo em 20%, para R$31,56. O banco comenta que a empresa deverá fazer ajustes na estrutura da dívida. A Fator Corretora colocou os papéis em revisão e observou que, caso nenhum acionista minoritário exerça o direito de participar do aumento de capital, a Cosan Limited, que possui caixa de R$450 milhões e usará uma parte dos recursos na colocação privada, poderá passar a deter 71,8% do capital da Cosan.

A Itaú Corretora manteve a recomendação de manter para a ação, mas cortou o preço-alvo em 14%, para R$30,00. O analista Marcelo Brisac afirma que a redução deve-se ao desempenho fraco no primeiro trimestre fiscal. E comentou ainda que a chamada de capital era necessária e que, nos próximos seis meses, a companhia terá de levantar outros R$600 milhões, em um momento cada vez mais delicado no cenário de crédito global. 


Fonte: Valor Econômico
24/09/2008