BicBanco pode rever projeção de expansão
 


O agravamento da crise financeira internacional pode levar os bancos de pequeno e médio portes com atuação no País a rever o ritmo de expansão de suas carteiras de crédito ao longo do ano. Um exemplo de instituição financeira que já indica esse movimento de retração é o BicBanco, cuja carteira de crédito superou a marca de R$9 bilhões no primeiro semestre. O banco projeta que as operações de crédito cresçam 50% até o fim do ano, mas já estuda rever a previsão. "Nosso plano inclui crescer de forma sensata, preservando o patrimônio da instituição. Se as circunstâncias e o ambiente não permitirem, não assumiremos atitudes irresponsáveis, mesmo que isso custe uma alteração em nosso guidance", afirmou o vice-presidente-executivo de operações e diretor de relações com investidores do Bic, Milto Bardini, ontem durante reunião com a Associação Nacional de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

De acordo com o executivo, embora o governo norte-americano tenha demonstrado a intenção de corrigir o problema - com o pacote que foi submetido ao Congresso -, os rumos do mercado internacional ainda são desconhecidos. "A situação é tal que quem afirmar que não está preocupado está à beira da irresponsabilidade", disse Bardini. "A crise deriva muito mais dos níveis de incerteza do que do risco. Os riscos são mais mensuráveis que a incerteza, como vimos durante a última semana", relembrou.

Para Bardini, a principal preocupação de bancos como o Bic, cujo principal negócio é emprestar dinheiro para empresas de médio porte, é que a crise possa avançar. "O ritmo pode acelerar do atual nível de aversão ao risco para a total inapetência e, pior, para uma terceira fase, de total anorexia. Como a economia é movida por crédito, seria extremamente prejudicial", definiu.

Segundo o executivo do Bic, o Brasil também trabalha com alguns desafios internos que podem atrapalhar os rumos das economia. "Temos monitorado o aumento nos níveis de inflação globais. No cenário local, também temos de lidar com isso. Existe a preocupação de que o Banco Central seja visto como o único responsável por manter os índices inflacionários em um patamar adequado. É necessário que o governo veja na política fiscal instrumentos de controle dos níveis inflacionários", criticou.

CONSOLIDAÇÃO
Durante o ano passado, em um mercado acionário operando com grande liquidez, 64 empresas aproveitaram para fazer ofertas de papéis. Os bancos de pequeno e médio portes foram alguns dos maiores beneficiados desse período.

Além do Bic, Daycoval, Indusval, Sofisa e o PanAmericano, controlado pelo empresário Silvio Santos, foram algumas das instituições que fizeram suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês). Cada uma dessas instituições atua em uma faixa do mercado, como, por exemplo, financiamento a veículos e crédito consignado. A maioria - caso do Bic - atua financiando médias empresas.

Com tantos bancos de médio porte listados na BM&FBovespa , o mercado aguarda o início de um processo de consolidação do segmento. O movimento já tem ocorrido com empresas do setor de construção civil, que também acessou a bolsa com força em 2007. "Uma das possibilidades que se comentava era de que bancos estrangeiros pudessem adquirir instituições brasileiras de médio porte por acharem mais simples do que iniciar um negócio. Acredito que a dinâmica e o ímpeto deles deve ter mudado muito com a crise", afirma o executivo.


Fonte: Gazeta Mercantil
24/09/2008