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O ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil deve somar US$35 bilhões neste ano, o que pode elevar o País da quinta posição na lista de emergentes mais visados por essas aplicações. A informação consta em boletim divulgado ontem pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Se confirmada a previsão, o montante a ser atingindo neste ano representa um leve crescimento de 1,16%, em valores monetários, sobre os US$34,6 bilhões acumulados em 2007. "É um dado para ser comemorado", avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. "Vale lembrar que no ano passado foram verificados diversos IPOs (sigla em inglês para oferta primária de ações), marcando uma entrada muito forte de investimento estrangeiro. E neste ambiente de crise do mercado internacional, é um desempenho surpreendente, porque mostra um crescimento sobre uma base bastante elevada", continuou. Para se ter uma idéia, em 2005, o IED foi de US$15,1 bilhões e, o de 2006, de US$18,8 bilhões. A maior cifra verificada nos dez anos anteriores a 2005 foi em 2000, no total de US$32,8 bilhões. Naquele ano, o Brasil presenciou a privatização de diversas estatais.
A Sobeet cita, em seu boletim, que uma estimativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indica que os fluxos de saída de investimentos diretos das economias que formam a organização podem se reduzir em 37% neste ano. "O que mais surpreende neste vigor dos ingressos de IDE no Brasil é que este ocorre em meio ao aumento global de aversão ao risco", citou a entidade. Segundo a instituição, isso indica que "em um horizonte de longo prazo a percepção do investidor estrangeiro acerca das condições de crescimento sustentável da economia brasileira segue positiva".
De acordo com dados do Banco Central, o fluxo de investimento estrangeiro que ingressou no País em agosto foi de US$4,6 bilhões - o maior valor desde janeiro do presente ano, quando o montante atingido ficou em US$4,8 bilhões. Tomando como base o oitavo mês do ano passado, quando o IED ficou em US$1,9 bilhão, houve um incremento de 134,1%. Segundo relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), apesar do forte comportamento de agosto, a média para o ano, atualmente em US$3 bilhões, não é capaz de superar a registrada no ano passado, que ficou em US$3,3 bilhões. O IED acumulado nos oito primeiros meses de 2008 atingiu a marca dos US$24,6 bilhões.
As perspectivas para 2009, contudo, não se mostram tão positivas quanto às deste ano. Conforme a Austin Rating, a piora do cenário internacional deve influenciar de forma direta sobre o fluxo de investimento estrangeiro no Brasil. A classificadora de risco prevê que o volume do ano que vem fique em torno de US$20 bilhões a US$25 bilhões. "Com as incertezas na economia mundial, os investidores não irão pagar para ver", avaliou Agostini. "O cenário só deve se recuperar entre o fim de 2010 e o começo de 2011".
Fonte: DCI 24/09/2008 |