Para empresas, fundo de risco é opção melhor que Bolsa
 


Hoje existe uma grande dúvida para as pequenas e médias empresas na hora de captar recursos no mercado, principalmente com a crise financeira dos Estados Unidos. Entre as opções, é possível fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ou capitalizar-se através de um fundo de private equity. Um, porém, acaba inibindo o outro e os fundos de equity acabam se destacando na escolha, o que mostra que o Brasil continua sendo atrativo para os investidores estrangeiros mesmo com a crise financeira global.

Segundo Marcos Haaland, diretor geral da Nutriplant, este é um desafio que o empreendedor terá de passar: a hora de trilhar seu caminho. "A empresa estava crescendo e, para continuar, nós precisávamos de capital. Foi quando pensamos no private equity", diz. Vale lembrar que a Nutriplant fez IPO neste ano e que é a primeira companhia a aderir ao Bovespa Mais. Na ocasião, foram arrecadados R$ 20,7 milhões.

Uma empresa que passa neste momento por essa dúvida - entre Bolsa e fundo - é a Galena, do setor químico e farmacêutico, que participou do evento realizado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para divulgar o Bovespa Mais. "Estamos analisando o mercado, sabemos da crise financeira pela qual o mundo passa e vamos continuar a esperar. Recebemos diversas propostas de fundos de investimentos, bancos e investidores, e propostas de fundos de private equity também, mercado que nos interessa", ressalta Ranan Katz, vice-presidente da Galena.

O segmento Bovespa Mais foi criado para tornar o mercado acionário acessível a mais empresas, principalmente pequenas que queiram operar com volumes inferiores aos do mercado convencional. O private equity é um tipo de atividade financeira feita por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores, com o objetivo de abrir capital.

O mercado é rigoroso em relação a governança corporativa. Entre alguns casos de empresas que passaram por fundos de Equity e estão bem colocadas no mercado, estão a Equatorial Energia, a BrMalls e a Magnesita S.A.; todas as companhias fizeram parte do fundo GPCIII que foi administrado pela GP Investments.

Haaland acrescenta que antes de tudo a empresa tem de saber o que pretende, e não pode ir ao mercado só para capitalizar. "A empresa tem de avaliar o passo que quer dar. É preciso saber se precisa do IPO ou se só o equity adianta", afirma ele.

O fundo norte-americano Access America Investment & Fund (AAI Global Equity), sediado em Houston, nos Estados Unidos, entrará no Brasil para investir em companhias com faturamento anual de até US$3 milhões. "Nosso foco principal, neste momento, é em empresas do setor de consumo e varejo. Sentimos uma mudança demográfica, principalmente com maior nível de consumo no nordeste, e queremos aproveitar essa oportunidade", afirma Christopher Efird, presidente e sócio diretor da AAI. O fundo pretende investir US$200 milhões nos próximos três anos, através de representantes exclusivos dentro do País. A AAI Global Equity atua em 31 países por meio desse modelo.

Na onda do agronegócio, a Vision Brasil Investments prevê captar US$350 milhões para investimentos no setor sucroalcooleiro e US$500 milhões para aquisição de terras no País. Dos US$2 bilhões em investimentos já administrados pela empresa, 50% são em ativos do agronegócio, 35% em créditos e 15% em imóveis. Os US$350 milhões previstos serão destinados à Vital Renewable Energy Company, especialmente para a aquisição de companhias de bom perfil produtivo, mas em má situação. A administradora tem investimentos de R$300 milhões no setor sucroalcooleiro, parte deles na ampliação de unidades do Grupo Farias, do Nordeste, que anunciou novas unidades no Centro-sul.


Fonte: DCI
26/09/2008