"Boom" de empresas na mira da área contábil
 


Uma grande chance de negócios aos escritórios de contabilidade acontece até 2015, pois o número de micro e pequenas empresas no Estado de São Paulo deve ultrapassar a casa dos milhões de empresas abertas. Ao todo, serão 2,6 milhões de micro e pequenas empresas em 2015. Estas afirmações são de Ricardo Tortorella, superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).

O especialista esteve presente no 21º Encontro das Empresas de Serviço Contábeis do Estado de São Paulo (Eescon), realizado semana passada em Atibaia (SP), e falou para uma platéia de pelo menos mil congressistas. "É um mercado fantástico para os contadores, pois aumentará muito o número de empresas e o mercado para os escritórios", afirmou.

De 2000 a 2015, o número de empreendedores mais do que dobrará. No começo do milênio havia 1,2 milhão e na outra data chegará a 2,5 milhões de pessoas. Para Tortorella, será necessário reinventar o modo de gerir o escritório de contabilidade. "Onde antes havia 10 colaboradores para prestar serviço a 100 empresas, em 2015 os profissionais terão de tomar conta de 200", crê.

Somente o setor de serviços, até 2015, espera-se que no Estado de São Paulo chegue ao número de 1 milhão de empresas; em 2000 eram 412 mil. Já o comércio deve prevalecer como carro-chefe, em termos de aberturas, e chegar a 1,4 milhão, ante 667 mil em 2000. "Vale destacar que observamos de que o setor de indústria começa a estabilizar-se. Em 2000 eram 175 mil e em 2015 devem ser 256 mil. Há crescimento, mas é menor" destacou Tortorella.

PROFISSIONALIZAÇÃO
O setor acredita que com este volume há necessidade de uma maior profissionalização e revisão de conceitos. Para José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon), este tipo de pensamento é positivo e valoriza o profissional. "Não é uma mudança, mas sim um resgate do papel do contador, da legítima função da profissão. Hoje o contabilista usa mais o lado intelectual, usa a inteligência para assessorar, planejar e fazer uma analise da estrutura gerencial das corporações."

Chapina acredita que em pouco tempo os maus profissionais devem sair do mercado. "Prevemos uma redução drástica de muitos maus profissionais. Acreditamos que, com a estruturação e desenvolvimento do País, o mercado exigirá profissionais de valores e com visão macro."

A mesma opinião é partilhada por Sérgio Prado de Mello, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), que diz que aqueles escritórios que só se preocuparem com a parte fiscal vão ficar obsoletos e sem público. "Os contadores têm de resgatar as origens da profissão. A mudança de enfoque é para valer. A informática e as novas regulamentações cuidarão da parte fiscal; ao contabilista cabe pensar no seu cliente e viver da contabilidade."

PEQUENAS
Pesquisa realizada pelo Sebrae afirma que 99% das empresas existentes no País são micro e pequenas empresas. Estas absorvem 56% dos empregados com carteira assinada e representam 28% do faturamento do setor privado e 20% do PIB. "A tendência é que esta porcetagem se altere em 2015, pois haverá muito mais empreendedores", afirma Ricardo Tortorella, superintendente do Sebrae-SP.

Tortorella revela que até 2015 o setor de serviços e de comércio ultrapassarão a casa de 1 milhão de estabelecimentos cada um e a indústria terá um crescimento, mas não chega à casa de milhões.Quando se analisa a cidade de São Paulo, o comportamento muda, pois a tendência é de que, daqui dois anos, os estabelecimentos de serviços ultrapassem os de comércio.

"Praticamente a metade dos números está na capital do estado. Em 2010 teremos 508 mil estabelecimentos de serviços, e 500 mil de comércio; a distância entre os números tende a subir em 2015, quando teremos 717 mil em serviços e 665 mil nocomércio." Ele destaca ainda ser preciso que não contadores se atualizarem, mas também o poder público, pois existe uma logística para estes novos empreendimentos na capital, como carga e descarga de caminhões e acesso da população, entre outros fatores.

OPORTUNIDADES
Levantamento realizado pelo Sebrae-SP indica que o crescimento econômico brasileiro será alavancado pelo consumo doméstico e pelo aumento de renda do trabalhador, do emprego e do crédito. Para a entidade, alguns termômetros apresentados por economistas sobre o novo panorama de consumo do País, que vive taxas expressivas de trabalhadores com carteira assinada, deverão favorecer o surgimento de novos negócios, principalmente com o aumento da classe C (em 2005 ela representava 34% e em 2007, 46%), e a queda das classes D e E. Outro aspecto a ser acompanhado é a maior expectativa de vida da população idosa, que demanda serviços diferenciados - logo, também a criação de novas empresas.


Fonte: DCI
29/09/2008