Globo cancela debate e frustra tática de Alckmin
 


A TV Globo cancelou ontem o último debate eleitoral no primeiro turno entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, marcado para amanhã. A decisão causou reações distintas nas campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), que brigam por uma vaga no segundo turno.

Os tucanos lamentaram o cancelamento. Alckmin apostava muitas fichas no debate para tentar reverter a vantagem de Kassab na disputa. Já a equipe do prefeito comemorou por entender que o debate poderia representar um "fator surpresa" a ser evitado nos dias finais da campanha. Oficialmente, Kassab lamentou a decisão. "Lamento muito, até porque os debates são muito importantes. Compareci a todos e infelizmente é um debate a menos para o eleitor paulistano poder definir seu voto", disse.

A TV Globo informou, em nota, que cancelou o debate porque não conseguiu entrar em entendimento com três candidatos - Ciro Moura (PTC), Ivan Valente (PSOL) e Renato Reichmann (PMN). Mesmo sem atingir mais do que 1% de intenções de voto nas pesquisas, eles insistiram em participar do encontro e recusaram todas as ofertas da emissora.

A TV Globo pretendia fazer o debate apenas com os cinco candidatos mais bem posicionados na pesquisa, por entender que debates com mais participantes "não são proveitosos". Por razões semelhantes, a emissora não fará debates no primeiro turno também em Curitiba, Rio de Janeiro e Fortaleza. A lei eleitoral obriga a imprensa a convidar para debates todos os candidatos de partidos com representação na Câmara. Caso a emissora queira reduzir o número de participantes, precisa fazer acordos.

Desde a semana passada, aliados de Alckmin acusam, nos bastidores, Kassab de ter feito acordo com partidos menores para inviabilizar o debate. Kassab nega.

Sem debate, o PSDB passou a concentrar todo o esforço no último programa no horário eleitoral hoje. A ordem é fazer um desfecho alto astral, emotivo e sem críticas aos adversários. "É só o PSDB não atrapalhar a gente que chegamos no segundo turno", disse o coordenador-geral da campanha alckmista, Edson Aparecido.

Sob a ameaça de ficar de fora do segundo turno, Alckmin disse ontem que a eleição ainda está "em aberto" e evocou a virada do PSDB na eleição de 1998 em São Paulo. "É a semana da mudança silenciosa. O (ex-governador) Mário Covas, em 1998, só passou à frente do Maluf na quinta-feira antes do domingo da eleição", lembrou. "A eleição está em aberto. Vamos trabalhar de manga arregaçada até domingo."


Fonte: O Estado de S. Paulo
01/10/2008