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Com a queda dos mercados acionários provocada pela crise no mercado financeiro internacional, muitas empresas que apostaram na alta de seus papéis e fecharam neste ano contratos de swap de ações devem registrar perdas nessas operações.
A operações de swap de ações consiste num contrato de troca de resultados de fluxos financeiros futuros (swaps) em que a empresa se compromete a pagar uma taxa de juros (CDI) para um banco e em contrapartida recebe a variação das suas ações. Mas com a queda da bolsa, as empresas poderão ter que arcar com o pagamento de juros, mais o diferencial entre o CDI e a variação da ação. Segundo o superintende da área de relações com investidores do Banco Cruzeiro do Sul, Fausto Guimarães, essa operação tem o mesmo efeito de uma recompra de ações, com o objetivo de defender seu preço.
O banco fechou em abril um programa de até R$50 milhões em contratos de swap de ações com o UBS Pactual, com prazo de um ano, em que se comprometia a pagar uma variação do CDI ajustado pelo spread pré-determinado, em troca da variação do preço das ações preferenciais da companhia. Tal operação não altera o percentual de ações em circulação no mercado, e não acarreta desembolso de caixa imediato, uma vez que a compra das ações é realizada pelo banco. "Como estávamos com nosso free float apertado, em torno de 25,5% - pouco acima do limite mínimo de ações em circulação exigido para as empresas listadas nos níveis de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - não tínhamos espaço para fazer a recompra dos papéis e optamos pela operação de derivativos", diz Guimarães.
Para o presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Alfredo Moraes, as operações de swap de ações é uma forma de as empresas tentarem defender o preço de seus ativos, mostrando para os investidores que a companhia acredita que o preço dos papéis está barato. "Os instrumentos de derivativos são bons, desde que bem estruturados e acompanhados de controle de risco."
O diretor financeiro e de RI do grupo Sistema Educacional Brasileiro (SEB), Marco Rossi, afirma que a operação fechada em agosto com o UBS Pactual, com o objetivo de elevar o preço de suas units, não deve impactar os resultados da empresa, uma vez que a companhia não utilizou nem 10% do total previsto para o programa que era de R$20 milhões.
"Utilizamos apenas R$1 milhão nessas operações, com o objetivo de mostrar para os investidores que o preço das units não refletia o fundamento da empresa", diz.
A Equatorial Energia também fechou em agosto contrato de swap de ações com o UBS Pactual, que prevê um volume total de até R$50 milhões. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) também chegou a renovar em julho uma operação semelhante no exterior, apostando na alta de seus ADRs (American Depositary Receipts), em que se comprometia a pagar uma taxa baseada na libor aplicada sobre o valor do preço médio dos papéis, em troca da variação dos ADRs e de seus dividendos, somando desde de 2003 até 26 de setembro de 2008, cerca de US$845 milhões.
Fonte: Gazeta Mercantil 01/10/2008 |