Novas normas devem melhorar transparência de derivativos
 


O Conjunto de normas contábeis a que as empresas brasileiras devem submeter-se até 2010 deve tornar mais transparente a exposição das companhias à utilização de instrumentos financeiros derivativos. Uma das vantagens é dar a investidores e analistas que atuam no mercado acionário a possibilidade de avaliar possíveis perdas de empresas que utilizam essas ferramentas.

A avaliação é da presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. “Em breve, será colocado em período de audiência pública uma norma que trata do uso e divulgação de instrumentos financeiros nos balanços das companhias”, disse a executiva, ontem à noite, em São Paulo, onde fechou um seminário organizado pela autarquia e pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), cujo tema foi o papel dos profissionais da área de relações com investidores (RI).

Maria Helena elogiou o procedimento de divulgação de informações de empresas que tiveram de liquidar posições em alguns desses instrumentos. E, sem citar a Sadia, que na quinta-feira teve de reconhecer uma perda de R$760 milhões relativa à sua exposição cambial, disse acreditar que a medida foi acertada. “O que se viu depois daquilo foi uma piora acentuada das condições do mercado.”

Para Haroldo Levy Neto, que coordena a área de relações institucionais do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), órgão que, com a CVM, é responsável por tocar o processo de regulação da nova legislação contábil, a nova norma sobre instrumentos financeiros deve melhorar muita a qualidade das notas explicativas contidas nas demonstrações financeiras atualmente. “O grau de utilização de instrumentos financeiros a que as companhias estejam eventualmente submetidas ficará completamente explícito com a nova norma”, explica ele.

EM PARCELAS
De acordo com o especialista, o IAS 39, a regulação do pronunciamento que trata sobre o tema será dividido em dois. “Isso se deve à sofisticação da norma. Em um primeiro momento, será colocada em audiência pública uma parte mais simples. No próximo ano, outra será submetida ao mesmo processo”, explica.

Durante o prazo que durar a audiência pública, as normas serão disponibilizadas a todas as entidades reguladoras do sistema financeiro, como o Banco Central, e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Para a presidente do órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais brasileiro, o atual cenário mundial, de agravamento da crise financeira gerada nos Estados Unidos, tem trazido dificuldades adicionais à função do profissional de RI. “Sabemos que há uma dicotomia. É difícil conciliar a tentativa de legítima preservação do interesse das companhias com a ética na divulgação das operações, quando tudo está bem ou não”, disse.


Fonte: Gazeta Mercantil
02/10/2008