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O desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil nos últimos anos tem sido uma considerável fonte de recursos que impulsiona nossa economia, canalizando para o setor produtivo tanto poupança interna quanto externa.
Esses recursos de investidores ocorreram em um momento em que a conjuntura foi propícia, com excesso de liquidez em todo o mundo, conjugada a uma situação econômica geral de estabilidade do País, alicerçada desde o Plano Real.
Sabemos, também, que nossa economia anda muito bem, em grande parte por sua integração com os mercados internacionais, onde nossos produtos agrícolas e as commodities têm alcançado volumes e preços expressivos. Além disso, nosso mercado interno mantém crescido constantemente.
O programa Novo Mercado, desde 2001 vem incentivando as empresas à prática de governança corporativa e respeito ao investidor, não somente pela segurança de direitos similares para os acionistas, sejam eles ordinaristas ou preferencialistas, mas também pela maneira como as empresas se comunicam com o público, inspirados na própria atuação da bolsa de valores, a Bovespa.
Nesse sentido, as informações amplamente divulgadas incluem as demonstrações financeiras de maneira completa, objetiva, regular e consistente, auditadas por um auditor independente.
Observando-se atualmente o ambiente em que essas demonstrações financeiras são preparadas, verificamos a preocupação das empresas em atender seus investidores, publicando-as conforme as práticas adotadas internacionalmente, seja por orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já há anos vem incentivando a aplicação das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), seja pelas próprias regras do Programa do Novo Mercado, que requer que as empresas divulguem suas demonstrações financeiras em IFRS ou USGAAP (Princípios Contábeis Norte-Americanos).
O auditor independente, nesse contexto, é o agente que vai atestar a qualidade das demonstrações financeiras, manifestando-se por meio de seu parecer de auditoria.
Para concebê-lo, o profissional discute os critérios para valorizar os ativos e os passivos das companhias, a qualidade e a extensão das informações contidas nas notas explicativas, a consistência na aplicação destes critérios em relação ao mercado e à indústria que se está avaliando, entre diversos outros aspectos que também são relevantes.
O objetivo final é que a informação auditada seja confiável e, conseqüentemente, atenda um dos quesitos para a sustentação do mercado de capitais.
Neste sentido, muito se discute hoje com investidores, reguladores e órgãos profissionais relacionados à auditoria, a necessidade de: a) convergência contábil, o que já está ocorrendo no Brasil, onde as empresas brasileiras até 2010 deverão publicar suas demonstrações financeiras pelos IFRS; b) convergência da regulação de auditoria com o objetivo de se desenvolverem regras mais robustas, de qualidade e de maior consistência; c) investimento em tecnologia que não somente detecte, mas também previna a fraude; e, d) avaliar as tendências no processo de divulgação das informações financeiras.
Sendo assim, percebe-se que há vários desafios que se apresentam no processo de elaboração de demonstrações financeiras para que continuem sendo relevantes para a tomada de decisões. Entre eles, está o do auditor independente, que deve manter seu papel de principal e único agente certificador das demonstrações financeiras no mercado de capitais.
O desenvolvimento futuro e a sustentação de um mercado de capitais, logicamente, dependem do sucesso de nossa economia, mas as decisões de investimento também dependem de informações contábeis confiáveis, suportadas na aplicação de normas contábeis e de auditoria amplamente discutidas, aceitas e compreendidas por nossa sociedade e que esta informação ao mercado permite não somente ao investidor um suporte na tomada de decisão de investir, mas também de mensurar o retorno do investimento.
E todos nós sabemos que os ciclos econômicos de prosperidade são alternados por ciclos de retração e neste momento a informação financeira contábil é também de fundamental valia para se mensurar os impactos resultantes deste ciclo atual de baixa da atividade econômica e auxiliar os investidores no processo de reavaliar suas posições, aos reguladores medir os efeitos no mercado, a necessidade de se tomar eventuais medidas regulatórias e ao governo na definição de medidas econômicas necessárias para a situação.
Fonte: Gazeta Mercantil 03/10/2008 |