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O ritmo dos acordos de fusões e aquisições caiu 28% este ano, uma vez que a crise do crédito cerceou a capacidade das empresas de financiar negócios e as economias européias oscilaram à beira da recessão.
As empresas anunciaram US$2,37 trilhões em aquisições de companhias nos nove primeiros meses do ano, total inferior ao recorde de US$3,29 trilhões do mesmo período do ano passado, segundo dados reunidos pela Bloomberg. O valor das fusões realizadas nos Estados Unidos caiu 35%, enquanto os negócios formalizados na Europa e no Oriente Médio recuaram 28%, conforme revelam os dados. Apenas as aquisições na Ásia, com exceção do Japão, aumentaram, em 11%.
O colapso do mercado norte-americano de crédito imobiliário de alto risco (subprime) dos Estados Unidos assolou os mercados de todo o mundo, incapacitando as empresas de obter financiamentos dos bancos para custear negócios. No último período de 30 dias, empresas que vão desde o Lehman Brothers Holdings Inc. até a Washington Mutual Inc. ficaram insolventes, estimulando o Senado dos EUA a aprovar, na noite de ontem, o pacote de socorro ao mercado financeiro para evitar uma recessão.
"O mercado de fusões de aquisições está quase congelado, enquanto os políticos do mundo inteiro enfrentam a crise da economia", disse Simon Collins, diretor de finanças corporativas do KPMG. "Com o mercado de dívida mobiliária virtualmente inacessível, a paralisia dos negócios também se disseminou para setores como o de energia, que era, até recentemente, considerado resistente às mazelas da economia mundial", acrescenta.
A Xstrata Plc abandonou ontem sua tentativa de oferta hostil de 5 bilhões de libras esterlinas (US$8,8 bilhões) pela Lonmin Plc, a terceira maior produtora mundial de platina, atribuindo o recuo à extrema turbulência dos mercados financeiros e a preocupações com financiamento ao negócio.
O Fortis, alvo de operação de salvamento promovida pelos governos de Bélgica, Holanda e Luxemburgo, cancelou a venda, por US$2,15 bilhões de euros (US$3 bilhões), de metade de sua subsidiária de gerenciamento de ativos, responsabilizando a crise pelo gesto.
"Existem atualmente no mercado muitas pessoas ansiosas por fechar negócios", disse John Tattersall, um dos sócios da PricewaterhouseCoopers LLP de Londres. "Mas as aquisições necessitam de crédito bancário em muitos casos, ou preços de ações superiores", acrescentou o executivo.
Fonte: DCI 03/10/2008 |