Montadoras prevêem tempos difíceis e promovem corte de custo
 


A General Motors vai se empenhar em acertar as áreas dos seus negócios que têm levado a perdas "inaceitáveis", disse o presidente e principal executivo de operações da montadora, Fritz Henderson. "Nossos resultados financeiros não foram aceitáveis de maneira alguma".

"Temos de tratar as causas das perdas. Você tem de fazer corte de custos e rumar em direção ao lucro". A fabricante de veículos de Detroit divulgou quase US$70 bilhões em perdas desde 2004 à medida que as vendas em deterioração no seu mercado doméstico corroeram os lucros obtidos em regiões como China, América Latina e Leste Europeu.

A GM pode vender a sua marca de veículos utilitários esportivos Hummer e uma fábrica francesa de peças para reduzir as despesas. No mês passado, a GM decidiu retirar os US$3,5 bilhões restantes da linha de crédito rotativa de U$4,5 bilhões. A jogada sugere que "os gastos da GM relativos ao segundo semestre permanecem muito severos", disse em um relatório Itay Michaeli, analista do Citigroup.

A Ford também alertou para tempos difíceis durante o salão do automóvel de Paris, pois vê chance de que a redução na demanda possa forçar as montadoras a cortarem produção e empregos.

TOYOTA PODE REVER METAS
O presidente mundial da Ford, Alan Mulally, afirmou que não espera uma recuperação do mercado global de veículos até 2010 e pediu aos governos e bancos centrais para trabalharem em conjunto e trazer a estabilidade de volta para os mercados financeiros. "O ano de 2009 não será melhor que 2008", disse ele a jornalistas durante o evento. "Não vemos recuperação até 2010", ressaltou, citando baixa de mercados no mundo.

Entretanto, Mulally disse que a Ford vai acelerar a produção de carros pequenos para mercados como europeu e sul-americano, mas não vai deixar de produzir veículos grandes.

Em seu discurso, o presidente evitou tocar no assunto da crise norte-americana, mas o fato de aparecer em Paris para divulgar o novo Ka europeu - muito diferente do brasileiro - mostra quanto a fabricante norte-americana está preocupada com a sobrevivência e a sustentabilidade. Além do Ka, os destaques no estande da Ford foram o novo Fiesta e o Focus.

Henderson, alertou para fraqueza tanto nos Estados Unidos quando nos mercados da Europa Ocidental. "Certamente o primeiro semestre de 2009 será fraco", disse. "Estaremos sob alguma pressão pelos próximos 12 a 14 meses."

Mitsuki Kinoshita, membro do conselho de administração da Toyota, afirmou que a crise de crédito atinge a confiança dos consumidores e que isso poder forçar a Toyota a rever sua meta de vendas global de 9,5 milhões de veículos em 2008 e 9,7 milhões em 2009.


Fonte: Gazeta Mercantil
03/10/2008