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O surpreendente resultado alcançado na eleição de ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) sinaliza a emergência de novas lideranças para conduzir o Estado e a cidade, analisou o cientista político José Álvaro Moyses, da USP. Para ele, o eleitor não votou pensando nas eleições de 2010: "O eleitor votou pensando em sua cidade, em seu bairro, nas condições de transporte, educação e saúde", disse.
Moyses lembra que os resultados do dia de ontem sinalizaram para o surgimento de novos líderes não só em São Paulo. Em Curitiba, com a votação consagradora de Beto Richa (PSDB); no Rio de Janeiro, com a chegada, também surpreendente, de Fernando Gabeira (PV) ao segundo turno. "O eleitorado deixou claro que está buscando novas lideranças", afirmou o cientista político.
REABILITAÇÃO Dirigentes do PSDB comentaram ontem que o resultado que colocou Kassab no segundo turno também reabilitou a aliança dos tucanos com o DEM, agora que o candidato Geraldo Alckmin não conseguiu se habilitar para disputar o segundo turno.
Tucanos de variadas tendências, ainda impactados pelo bom desempenho eleitoral de Kassab, admitiam ontem que a vitalidade eleitoral do prefeito ajudará o partido a curar suas feridas recentes.
Todos dão como certo que lideranças como o deputado José Aníbal, que ficou ao lado de Alckmin, se integrará rapidamente à candidatura de Kassab no segundo turno. O coordenador das subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, tucano histórico e muito amigo do governador José Serra, foi o único secretário a não ajudar Kassab na campanha. Mas ontem à noite já foi visitar o prefeito e deve apoiá-lo no segundo turno.
Outro sinal animador para os tucanos é que a aliança firmada por Kassab com o influente PMDB paulista, comandado por Orestes Quércia, foi um bom ensaio para atrair o maior partido do Brasil à aliança já tradicional de PSDB e DEM com vistas à eleição de 2010.
Fonte: O Estado de S. Paulo 06/10/2008 |