Montadoras param para ver a crise passar
 


A indústria automobilística entrou em compasso de espera por causa dos efeitos da crise financeira internacional. Embora não admitam a relação direta com as turbulências, que têm desaquecido as vendas no mercado externo, duas montadoras - a General Motors e a Fiat - anunciaram que vão parar neste mês a produção por um prazo determinado (até 20 dias) e pagar férias coletivas para parte de seus funcionários.

A General Motors vai interromper a fabricação de veículos em São Caetano dos dias 20 a 29 deste mês e colocará para descanso cerca de 5.000 funcionários da unidade. "O que nos moveu basicamente foi a queda do volume de exportações, houve uma redução muito grande para o México, Argentina, África do Sul e a Venezuela", disse o vice-presidente da montadora, José Carlos Pinheiro Neto.

As vendas da GM ao Exterior, de janeiro a setembro deste ano, registram queda de 17% em termos de volume de CKD (veículos desmontados) e 32% em carros montados.

O presidente interino do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano. Francisco Nunes Rodigues, disse que se surpreendeu, mas que já houve a partir desse mês uma redução na produção, de uma jornada semanal de 41,5 horas (40 horas mas uma hora e meia de extra) para 40 horas. "A empresa informou que, como o mercado se retraiu, a decisão foi uma forma de preservar empregos", disse. Com isso, deixam de ser produzidos de 50 a 52 veículos por hora nessa fábrica.

Pinheiro Neto afirma que não é possível fazer uma conexão direta dessa diminuição com a crise internacional. "Já vinha acontecendo uma queda, vínhamos aumentando o preço, já que o dólar não nos favorecia. Quando se aumenta o preço, o volume cai", disse.

No caso da Fiat, foram anunciadas férias coletivas para 1.700 empregados diretos a partir do dia 13, por período de dez e de 20 dias. No entanto, não haverá parada, mas redução na produção, de 2.700 veículos por dia ante a média diária atual de três mil.


Fonte: Diário do Grande ABC
07/10/2008