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A Bovespa ensaiou um pregão de recuperação ontem, tendo chegado a subir 2,5% na primeira hora de negociações. Porém, o enfraquecimento de Wall Street à tarde acabou arrastando a Bovespa, que encerrou o pregão com queda de 4,66%. O mercado de câmbio também não deu trégua, e o dólar subiu mais 5,14%, para encerrar vendido a R$2,311.
Não faltaram ontem novas medidas contra a crise, anunciadas pelos principais bancos centrais do mundo. Mas elas não foram suficientes para mudar o pessimismo no mercado. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 5,11%; a Bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 5,80%.
Ontem o índice Ibovespa (que reúne as 66 ações mais negociadas) terminou aos 40.139 pontos, o mais baixo nível desde novembro de 2006. A queda da Bolsa no mês já alcança 18,98%. No acumulado do ano, as perdas somam 37,17%.
"Estamos atravessando um período de irracionalidade nos mercados, com a volatilidade muito elevada. As oscilações têm se tornado mais fortes. E não há como [o Brasil] escapar e ficar isolado. Além das dúvidas em relação aos efeitos do pacote do governo americano, as preocupações com a Europa passaram a pesar mais", afirmou Cristiano Souza, economista do Banco Real.
No começo da tarde, o anúncio da queda recorde no crédito ao consumo nos Estados Unidos em agosto surpreendeu negativamente os analistas, que não contavam com um resultado tão ruim. Os dados reforçam os temores de que a maior economia do mundo está cada vez mais próxima da recessão.
O discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed (o BC americano), que sinalizou que pode baixar os juros nos EUA se for necessário, não foi suficiente para acalmar os mercados. Os investidores contavam com um sinal mais claro de que os juros estão para ser cortados.
Com a elevada participação dos estrangeiros, que respondem por 35% das operações, a Bolsa paulista não consegue se proteger das movimentações do mercado internacional.
Concentrando 20% do total negociado, a ação preferencial da Petrobras teve mais um dia de forte oscilação: na máxima, se valorizou em 2,86%; na mínima, recuou 7,70%; e fechou com queda de 5,66%.
Pela facilidade em ser negociada, a ação da Petrobras está entre as mais suscetíveis a movimentos especulativos, que têm caracterizado esse período de intensificação da instabilidade. Mais do que comprar uma ação pensando em um futuro promissor da companhia, os investidores têm adquirido papéis com a intensão de revendê-los ainda no mesmo dia, logo que algum lucro for obtido.
Entre as maiores baixas do pregão, apareceram B2W Varejo (com recuo de 15,16%), Cyrela Realt ON (-13,79%) e Nossa Caixa ON (-13,79%).
OSCILAÇÕES MAIS BRUSCAS Quem tem se arriscado a negociar na Bolsa tem encontrado um cenário muito mais difícil para operar. A volatilidade - intensidade e freqüência das oscilações dos preços das ações - cresceu consideravelmente nos últimos dias.
O índice de volatilidade para o Ibovespa na última segunda-feira superou os 82%. No último ano, esse índice, que é medido pela BM&FBovespa, sempre oscilou próximo dos 30%. Quanto maior o índice, mais elevada a volatilidade e, conseqüentemente, os riscos de investir na Bolsa de Valores. Para a Petrobras, a volatilidade está ainda mais intensa, tendo alcançado os 95%.
Fonte: Folha de S.Paulo 08/10/2008 |