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Sem a presença de Geraldo Alckmin, o PSDB formalizou ontem seu apoio no segundo turno ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição na capital paulista. Lideranças regionais e nacionais compareceram ao diretório estadual do partido para referendar a candidatura democrata. Para os tucanos, Kassab se revelou um bom gestor ao assumir, em 2006, a prefeitura de São Paulo no lugar do atual governador paulista, José Serra (PSDB).
Segundo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a vitória do prefeito no primeiro turno foi um reconhecimento da sua gestão à frente do município. "Ele mostrou ao povo de São Paulo que é capaz. A cidade reconheceu que teve um bom gestor, que deu continuidade ao governo de José Serra", destacou.
Principal patrocinador da candidatura de Kassab, o governador tucano esteve ausente do encontro. No entanto, em entrevista ao rádio Bandnews FM, Serra admitiu subir no palanque do prefeito se for chamado. À tarde, os dois foram juntos vistoriar obras na via Anhanguera. O tucano negou o cunho político do encontro. Até então, Serra se mantinha fora da campanha, dividido entre as candidaturas de Alckmin e Kassab. Já o prefeito agradeceu o apoio do PSDB e reiterou que a aliança entre tucanos e democratas nunca deixou de existir na cidade de São Paulo.
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reconheceu que o partido acompanhou com "enorme preocupação" as eleições paulistanas por conta do racha no ninho tucano. Mesmo assim, disse que a reeleição do prefeito no maior município brasileiro representa a vitória do PSDB nas eleições municipais, independente da quantidade de cidades que o PT possa vir a conquistar no segundo turno.
Ao comentar a divisão interna, FHC minimizou as divergências entre alckmistas e kassabistas e garantiu que o PSDB estará unido em torno da candidatura de Kassab. "Nosso encontro aqui é simbólico porque mostra aquilo que foi negado o tempo todo: o PSDB é um partido que sabe refazer-se a todo instante e apesar de divergências pontuais, no momento essencial ele se junta pensando nos interesses da população". O maior objetivo do PSDB nas eleições municipais é impedir a eleição de Marta Suplicy (PT), além de reforçar a imagem de Serra como o principal líder de oposição no País.
O ex-presidente ainda elogiou o comportamento de Alckmin ao reconhecer a derrota. Na ocasião, o ex-governador disse que iria seguir a orientação da sigla sobre quem apoiar no segundo turno. "O partido foi capaz de entender as circunstâncias e Geraldo se comportou com correção e agora com desprendimento", acrescentou. O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, fez coro às declarações de FHC ao afirmar que o ex-governador se mostrou um "homem digno, correto e de alto espírito partidário".
Hoje, o PTB reúne a executiva estadual e municipal para decidir quem apoiar no segundo turno. A tendência é que o partido, que ocupou o vice na chapa encabeçada por Alckmin, com o deputado estadual Campos Machado, siga o PSDB, ampliando o leque de apoio ao prefeito.
PÉ NA ESTRADA Geraldo Alckmin (PSDB) não pretende ficar fora da cena política. Ex-governador paulista e candidato derrotado na disputa pela prefeitura paulistana, Alckmin deve percorrer cidades em que tucanos concorrem ao segundo turno das eleições. Ontem ele viajou para sua cidade natal, Pindamonhangaba, no interior paulista, onde fica apenas até quinta-feira. Nesses dias, ele bate o martelo na composição de uma lista de cidades que pretende visitar para subir no palanque de correligionários, de acordo com um assessor próximo. É provável que já no fim de semana ele aceite convite do presidente do diretório do PSDB estadual, Mendes Thame, para visitar o interior paulista. Devem estar no roteiro São Bernardo do Campo, onde Orlando Morando enfrenta Luiz Marinho, protegido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; Bauru (com Caio Coube) e Guarulhos (Carlos Roberto).
Fazem parte da lista também Cuiabá, Campina Grande, Contagem, Juiz de Fora, Londrina, Ponta Grossa e São Luis. Há chances de Alckmin ir também a Belo Horizonte para agradecer a participação do governador Aécio Neves em sua campanha e ao mesmo tempo apoiar o candidato Márcio Lacerda (PSB)., sustentado pelo tucano. Beto Richa, que ganhou no primeiro turno em Curitiba, deve merecer os cumprimentos pessoais de Alckmin.
Fonte: Gazeta Mercantil 08/10/2008 |