Dólar sobe mais de 5% e vai a R$2,312
 


Em mais um dia de estresse nos mercados internacionais e fuga de estrangeiros dos países emergentes, o dólar comercial encerrou o pregão ontem valendo R$2,312 - a maior cotação em mais de dois anos, desde quando o fechamento foi de R$2,324, em 31 de maio. Nem mesmo o anúncio de que o Banco Central liberaria bilhões de dólares ao mercado por meio de leilões de swap cambial e de linha foi capaz de segurar a alta da moeda, que ficou em mais de 5%. Em meio a esse cenário, o Ibovespa apresentou mais um dia de perdas, com queda de 4,66%, aos 40.139 pontos. O volume financeiro ficou em R$5,2 bilhões, com 339.771 contratos negociados durante o pregão.

"Quando, por volta das 15h30, a alta do dólar chegou a 5,57%, foi acionado o limite de alta, estipulada em 6% ao dia", explicou Rossano Oltramini, analista da corretora XP Investimentos. "Quando isso ocorre, fica determinado que os negócios não podem operar com altas superiores ao limite. A irracionalidade do mercado está muito grande", continuou.

O BC fez dois swaps cambiais. Um deles ofereceu US$600 milhões ao mercado, com vencimento em 3 de novembro. A procura, neste caso, somou US$537 milhões. O segundo, com vencimento estipulado para 1º de dezembro, teve como proposta a liberação de US$1 bilhão - com demanda de US$822 milhões. Às 15h15, a entidade fez um leilão de linha, comercializando US$700 milhões - 70% do US$1 bilhão oferecido inicialmente. A taxa máxima para este último negócio foi de R$2,347465.

FUGA
Em meio à crise do setor financeiro que teve início nos Estados Unidos, agora chega à Europa e, segundo especialistas, pode afetar instituições financeiras da Ásia, a saída de recursos de investidores parece não ter fim, chegando a R$19,5 bilhões no acumulado do ano até o dia 2 de outubro. O mês de setembro deste ano apresentou saída de R$1,8 bilhão, contra um saldo positivo de R$3,8 bilhões durante o mesmo período do ano passado.

Para Marcelo Faro, economista da Intra Corretora, esta saída de recursos é natural, mas deve se reverter em 2009. "Como os estrangeiros precisam cobrir buracos lá fora, é natural que este investimento saia do País. Mas isso é só no curto prazo. Se a crise passar, no próximo ano estes investidores voltam a aplicar seus recursos no Brasil", disse ele.

O plano de injetar bilhões no mercado norte-americano ainda não teve efeito no mundo e, com isso, investidores continuam inseguros para realizarem novas aplicações. Agora é a vez da Europa, onde as instituições financeiras já mostram suas fraquezas e pedem ajuda.

"O plano de recuperação dos EUA já foi aprovado, mas o mercado ainda não recebeu a injeção de dinheiro. Quanto mais demorar, mais investimentos vão sair do País", explica Faro.

O Ibovespa - principal indicador da Bolsa paulista - fechou o mês de setembro com queda de 11%, contra uma valorização de 10,6% no mesmo período do ano passado. No ano, a desvalorização já chega a 34,1%, a maior da história já registrada pelo índice.

Entre os índices, o recém criado pela BM&F Bovespa, o SMLL - índice Small Cap que mede o retorno de uma carteira composta por empresas de menor capitalização - apresentou a maior queda na Bolsa, com perda de 45,2%. Em seguida aparece o IGC - Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada - apresentou perda de 40,9%, e em terceiro aparece o ITAG - Índice de Ações com Tag Along Diferenciado -, que obteve desvalorização de 40,2%. O temor é tanto que analistas chegam a cogitar que o Ibovespa atingirá 25 mil pontos no prazo de dois anos. O volume médio diário da Bolsa foi de R$5,4 bilhões em setembro, uma variação positiva de 14,3% em relação a agosto (R$4,8 bilhões). No acumulado do ano, a cifra chega a R$5,8 bilhões.

Mesmo com a forte intervenção do Banco Central, o mercado mostrou ontem que continua avesso a riscos, e o dólar fechou com a cotação mais alta desde 31 de maio de 2006. A moeda americana encerrou o pregão de ontem valendo R$2,312, com uma alta superior a 5%. Durante o dia, o BC ofereceu US$2,6 bilhões ao mercado, com o objetivo de segurar a pressão cambial. No entanto, foram vendidos pouco mais de US$ 2 bilhões desse total. A Bolsa também continuou sensível aos efeitos da crise, e o Ibovespa teve mais um dia de perdas, com queda de 4,66%, aos 40.139 pontos, o menor patamar desde o fim de 2006.

O BC fez duas ofertas no dia. Em uma delas, ofereceu US$600 milhões ao mercado, com vencimento em 3 de novembro. A procura, neste caso, somou US$537 milhões. A segunda, com vencimento estipulado para 1º de dezembro, teve como proposta a liberação de US$1 bilhão - com demanda de US$822 milhões. Às 15h15, a entidade fez um leilão de linha, comercializando US$700 milhões - 70% do US$1 bilhão oferecido inicialmente.

A falta de liquidez nos mercados nacional e internacional fez com que o custo de captação das instituições financeiras brasileiras, especialmente as médias, saltasse de 108% dos Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) para 130% do CDI nos últimos tempos. A informação foi dada ontem pela analista de bancos do Banif, Lia da Graça. Para ela, as medidas anunciadas pelo governo trazem mais liquidez ao mercado, mas apenas no curto prazo, salienta. Para o analista de instituições financeiras da Austin Ratings, Luís Miguel Santacreu, a compra de carteiras irá beneficiar principalmente aquelas instituições que possuem um descasamento de prazos entre pagamentos e recebíveis.

O Banco Panamericano, por sua vez, afirma que a situação do mercado exige cautela e conservadorismo em relação a novos créditos. Em nota, diz que "não parou de operar, apenas está mais restritivo em sua política de aprovação de crédito e alterou suas tabelas de taxas e prazos, deixando-as condizentes com a atual situação de mercado".

Os exportadores também comemoraram as ações do governo para garantir crédito às suas operações. Disseram apenas ainda pairar dúvidas sobre o prazo desse crédito, que deveria ser, na avaliação de representantes do setor, de pelo menos 180 dias.


Fonte: DCI
08/10/2008