Em ritmo de espera, empresas mudam planos para driblar crise
 


A instabilidade financeira e cambial está levando diversos setores a reprogramar sua política de venda. Os importadores de veículos, por exemplo, estudam voltar a fixar preços em dólar, como faziam em épocas em que o Brasil convivia com freqüentes desvalorizações de sua moeda, antes da adoção do Plano Real, em 1994, e em 1999, quando o País sofreu um ataque especulativo e o governo estabeleceu o atual regime de câmbio flutuante.

As montadoras de caminhões, que até a semana passada tinham fila de espera para entregar seu produto, já registram adiamento de compras por parte de seus clientes, em decorrência de restrição de crédito e de alta nas taxas de financiamento cobradas pelos bancos. No pólo industrial de Manaus (AM), empresas programam férias coletivas de dez dias a seus empregados - paralisação motivada pela majoração do câmbio que dificulta a importação de peças, a formação de preços e o repasse dos custos ao preço.

No varejo, lojas que vendem produtos com componentes importados já estão sendo informadas que as próximas tabelas virão majoradas. "O varejo não sabe por quanto comprar e a indústria não sabe por quanto vender", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, Lourival Kiçula. E segmentos da indústria têxtil que dependem muito de importações não estão fechando preço para vendas futuras, pois têm expectativa de que a cotação do dólar baixará em curto prazo.

Na cena externa, para tentar minimizar os efeitos da crise, em uma ação coordenada pelo Fed, os principais bancos centrais do mundo reduziram as taxas de juros de seus países. Isso não evitou que as bolsas de valores fechassem no negativo. A Bolsa de Tóquio encerrou o pregão em queda recorde e a de Moscou suspendeu os negócios por dois dias.


Fonte: Gazeta Mercantil
09/10/2008