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No dia em que foi divulgada pesquisa mostrando que Marta Suplicy (PT) está 17 pontos atrás de Gilberto Kassab (DEM) na disputa pelo segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo, dez ministros foram à capital paulista declarar apoio à candidata petista. E nesta sexta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá encontro com Marta, a pouco mais de 15 dias das eleições.
O desembarque do primeiro escalão do governo aconteceu na noite de quinta-feira e ainda foi reforçado pela presença de aliados de peso, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Segundo o instituto Datafolha, Marta tem 37 por cento das intenções de voto enquanto seu opositor, o prefeito Kassab, tem 54 por cento.
Nesta sexta, o presidente Lula se juntará a Marta em um encontro com líderes evangélicos no Hotel Hilton. Será o primeiro reforço de Lula no segundo turno da campanha.
"Vitória só se conquista no último voto. Há exemplos terríveis na história quando pessoas subestimam o povo e sentam na cadeira antes da hora necessária, disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a jornalistas em referência à vantagem de Kassab.
Primeira a discursar no evento de apoio a Marta, Dilma abriu seu discurso falando que muitos utilizam pesquisas para "subir no salto alto", o que seria "prova de elitismo, soberba e descompromisso com a democracia".
Dilma admitiu que os desafios de Marta são grandes e reforçou a vantagem da ligação da petista com o governo Lula. A ministra lembrou que Marta, no final de seu mandato como prefeita de São Paulo (2001-2004), conviveu com a adversidade econômica dos primeiros dois anos do mandato de Lula, o que não se repetiria agora.
"Se ela era ótima prefeita com os seus próprios recursos, imagina agora que conta com recursos federais. É isso que é preciso explicar na campanha", afirmou Dilma.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, buscou minimizar o impacto da primeira pesquisa de intenção de votos do segundo turno comentando que qualquer obstáculo em início de campanha é desafio.
"Difícil é no fim da campanha", disse Tarso. "A Marta tem uma base social e política consistente em São Paulo. Fez um governo que ficou na memória popular como excelente".
Coube ao ministro Luiz Dulci, da secretaria-geral da Presidência, fazer os ataques mais ácidos a Kassab ao afirmar que sua eleição significaria o retrocesso para São Paulo. Acusou-o de fazer uso do fisiologismo na relação política e ainda afirmou que "São Paulo não está votando num síndico e um síndico conservador. São Paulo precisa de um líder."
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, Marta tem todas as condições de recuperar a desvantagem apontada pela pesquisa e defendeu a politização da campanha. "Precisamos mostrar a diferença de paradigma", defendeu.
A candidata fechou o ato em defesa de sua candidatura lendo o documento intitulado "Compromisso com São Paulo" em que enumera seus programas de governo e afirma que continuará a fazer uma campanha sem ataques pessoais. "Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários".
Ela também fez novo aceno ao candidato derrotado Geraldo Alckmin (PSDB), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, dizendo que vai incorporar a seu programa a proposta de criação de centros de atendimento a idosos, apresentada pelo tucano.
Além de Dilma, Tarso, Dulci e Haddad, estiveram presentes os ministros Edson Santos (Igualdade Racial), Juca Ferreira (Cultura), Carlos Lupi (Trabalho), Orlando Silva (Esportes), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) e Luiz Eduardo Barretto (Turismo). O ministro interino de Ciência e Tecnologia também estava presente. O ato recebeu ainda a presença de sindicalistas, intelectuais e prefeitos do PT.
Fonte: G1 10/10/2008 |