Maílson da Nóbrega quer fim da seqüência de altas da Selic
 


O Banco Central (BC) precisa parar de subir a Selic ou pode até ter sua autonomia prática ameaçada, acredita o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega. "A taxa Selic perdeu a eficácia neste momento", acredita. Na visão de Maílson, a Selic não está mais influenciando a taxa de juros de mercado que está sendo afetada pela contração do crédito.

"Um aumento de juros fora da realidade pode aumentar a resistência à autonomia do Banco Central, que só existe pela vontade pessoal do presidente Lula, mas não é formal", disse à Agência Estado. Segundo Maílson, com vários bancos centrais do mundo reduzindo os juros e a desaceleração econômica, inclusive do Brasil no horizonte, se o BC insistir na alta da Selic pode vir a gerar movimento no Congresso Nacional contra a sua autonomia. "No mundo todo, os bancos centrais colocaram a inflação em terceiro plano".

Ele acredita que o BC não deve também reduzir a Selic porque isso não contribuiria para gerar liquidez. Na atual conjuntura, acredita que uma alta na taxa de juros também não influenciaria na taxa de câmbio, que está sendo dada por outros motivos, como o movimento de redução de investimentos estrangeiros da Bovespa.

Maílson estima que dos US$ 350 bilhões que os estrangeiros tinham na Bovespa no fim do ano, "hoje devem ter US$ 200 bilhões, se muito". Observa, por outro lado, que quanto mais os estrangeiros retiram investimentos, mais influenciam para ter as cotações das ações e também as do câmbio desfavoráveis a eles.


Fonte: DCI
14/10/2008