Bolsa cai 11,4% no pior pregão em 10 anos
 


Não durou muito a recuperação da Bovespa ensaiada no começo da semana. As perdas de ontem voltaram a ser tão expressivas que o pregão chegou a ser interrompido. No encerramento dos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo tinha desvalorização de 11,39% - maior queda desde setembro de 98. No mercado de câmbio, o dólar se apreciou em 3,49% e foi a R$2,166, apesar das intervenções do Banco Central.

Poucos mercados acionários escaparam de fechar no vermelho ontem. Na Europa, a Bolsa de Londres caiu 7,16%. Em Nova York, o índice Dow Jones teve baixa de 7,87%. A Bolsa de Buenos Aires perdeu 12,14%.

O medo da magnitude da recessão que ameaça o mundo voltou ao centro das preocupações. A queda nas vendas do comércio varejista nos EUA em setembro, mais forte que as previsões, foi um dos pontos que motivaram o aumento da aversão e a saída das Bolsas.

A Bovespa marcou perdas de 14,81% no pior momento de ontem. Próximo das 14h30, quando a depreciação superou os 10%, o "circuit breaker" foi acionado e o pregão foi suspenso por 30 minutos.

Com queda de 42,35% acumulada em 2008, a Bolsa já teve que utilizar o "circuit breaker" (sistema que interrompe temporariamente o pregão), como forma de tentar conter as perdas, cinco vezes neste ano.

"Passamos o último mês com incertezas absurdas sobre o destino do sistema bancário, que abalou muito os mercados. Agora os preços dos ativos estão sendo ajustados aos fundamentos econômicos. E a grande dificuldade é saber qual o tamanho e por quanto tempo se estenderá esse processo de retração econômica que afeta o mundo", afirma Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB. "Nesse cenário, os mercados financeiros vão seguir muito voláteis e instáveis nos próximos meses."

Após as medidas de socorro financeiro que arrefeceram os temores de quebradeira que rondava o sistema bancário internacional, os mercados passaram a concentrar suas atenções nos fundamentos econômicos. E como as companhias começaram a divulgar seus balanços do último trimestre, resultados decepcionantes, tanto de empresas locais quanto lá de fora, tendem a dificultar ainda mais os dias nas Bolsas.

A Bovespa começou a semana dando ânimo aos investidores: na segunda-feira, registrou valorização de 14,66%. Mas os mercados demonstraram nos pregões seguintes que o momento ainda é de extrema instabilidade. No mês, o índice Ibovespa passou a registrar desvalorização de 25,65%.

MATÉRIAS-PRIMAS EM BAIXA
A movimentação na Bovespa ontem alcançou R$9,73 bilhões - volume 65% superior à média diária -, com o giro inflado pelo vencimento de contratos futuros do Ibovespa. Como ontem era dia desses vencimentos e houve "circuit breaker", o pregão teve 30 minutos a mais de duração.

Os setores ligados a commodities apareceram como destaque de perdas nas Bolsas mundiais ontem. No mercado doméstico, papéis de mineradoras e siderúrgicas também estiveram entre as depreciações mais elevadas do pregão.

Com o mundo sob a sombra da temida recessão econômica, os preços das commodities podem recuar ainda mais no mercado internacional.

As ações da Vale estiveram entre as que mais sofreram na Bolsa: houve queda de 18,57% em seu papel ON, e de 15,16% no PNA. Outras com baixas muito fortes foram as ações ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional, que despencaram 17,11%, e as PNs da Gerdau, com recuo de 14,90%.
Para as ações da Petrobras, as perdas ficaram em 13,85% (ON) e 12,08% (PN). Ontem o barril de petróleo sofreu nova queda, de 5,2%, para US$74,54 em Nova York.

Apenas as ações Telemar ON, Brasil Telecom Participações PN e Telemar Norte Leste PNA escaparam do vermelho ontem, ao subirem 5,3%, 2,42% e 2,18%, respectivamente.


Fonte: Folha de S.Paulo
16/10/2008