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O banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, depôs ontem à Justiça Federal sob a orientação de se manter calado. O depoimento foi concedido em audiência no processo movido contra ele sob a acusação de ter corrompido policiais para evitar sua prisão durante a Operação Satiagraha, em julho.
Dantas seguiria a orientação de seu advogado, Nélio Machado, de que permanecesse em silêncio durante os depoimentos. Além dele, na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo também seriam ouvidos o consultor Hugo Chicaroni e o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz. Os três são acusados pelo Ministério Público de tentativa de suborno de policiais federais para retirar o nome do banqueiro do inquérito da Polícia Federal.
"A estratégia é impugnar a audiência, dizer que efetivamente ela está se realizando de forma incorreta, açodada e precipitada, e a defesa vai veicular esse inconformismo. Ele tem instrução minha para não falar absolutamente nada", afirmou o advogado de Dantas, antes da audiência.
A defesa de Dantas também questiona a participação do juiz da 6ª vara, Fausto De Sanctis, no caso. Segundo Machado, cabe a 6ª vara julgar somente crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro nacional. "Não há conexão entre inquérito policial e ação penal. Essa causa jamais poderia estar nas mãos do Dr. Fausto. Esse caso deveria ser alvo de sorteio entre dez varas, e uma delas se ocuparia do assunto e não especificamente o Dr. Fausto De Sanctis", disse Nélio Machado.
Ainda ontem, a defesa de Dantas pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ ) que cancelasse a audiência, mas o ministro do tribunal Arnaldo Esteves Lima negou o pedido de liminar e manteve os depoimentos. De acordo com a Justiça Federal, a audiência foi marcada novamente devido a uma alteração na lei 11.719, sancionada 12 dias após a operação da PF. Com a mudança, os réus devem prestar depoimentos depois das testemunhas - que já foram ouvidas sobre o caso.
"Essa audiência não deveria existir porque o juiz diz que a causa é simples, mas ela não é simples. Tenho várias impugnações a respeito de cerceamentos para o advogado obter provas", concluiu o advogado. Deflagrada no dia 8 de julho, a operação resultou na prisão de Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB)
Fonte: Valor Econômico 23/10/2008 |