Bovespa volta a parar e tem perda de 10%
 


A Bovespa tentou resistir até a última hora de pregão, mas não conseguiu evitar o acionamento do "circuit breaker". Às 17h18, as perdas bateram em 10%, o que levou o pregão a ser interrompido por 30 minutos. Após o retorno das operações a Bolsa terminou o dia com queda de 10,18%, com contribuição forte do setor bancário, afetado pela MP do governo.

Todas as 66 ações que compõem o índice Ibovespa encerraram o dia com desvalorização. O índice fechou aos 35.069 pontos, em seu menor patamar desde setembro de 2006. No acumulado deste mês, as perdas estão em 29,21%. A queda no ano é de 45,11%.

A Bolsa de Valores de São Paulo operou em baixa durante todo o pregão de ontem, em consonância com mais um dia de perdas fortes nos principais centros financeiros do mundo.

O recuo das commodities no exterior não deu chances para o mercado acionário brasileiro se descolar, devido ao impacto negativo que tem sobre as companhias de grande peso na composição do Ibovespa, como Petrobras e Vale.

Em Wall Street, o índice Dow Jones, que reúne as 30 ações norte-americanas de maior liquidez, caiu 5,69%. Para a Bolsa de Londres, as perdas ficaram em 4,46%. Em Tóquio, o índice Nikkei perdeu 6,79%. A Bolsa do México perdeu 7,01%.

Para piorar os ânimos, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou que o número de trabalhadores demitidos no país no ano, até setembro, alcançou o maior patamar em seis anos. Já o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, afirmou que é provável que o Reino Unido entre em recessão.

"Não se sabe claramente o que vai ocorrer com a economia real e até onde vai a extensão dos impactos da crise. Vamos continuar tendo dados econômicos negativos nos próximos meses. Há muitas incertezas sobre em que patamar a economia vai parar e até onde os preços das commodities podem descer", avalia Rodrigo Bresser-Pereira, sócio-diretor da Bresser Asset Management.

Nesse cenário marcado por temores e incertezas em relação ao futuro da economia mundial, os estrangeiros têm elevado a venda de ativos de emergentes. Pelo tamanho de seu mercado, o Brasil está entre os que mais sofrem com a intensificação do movimento, com a continuidade na saída de capital da Bolsa e a venda de papéis da dívida - que tem pressionado o risco-país.

O saldo dos negócios feitos pelos estrangeiros na Bolsa tem piorado. Neste mês, até o dia 20, os estrangeiros mais venderam que compraram ações brasileiros no montante de R$3,48 bilhões - em setembro saíram líquidos R$1,81 bilhão, e em agosto, R$2,25 bilhões.

As vendas não têm poupado nenhum setor. As maiores quedas da Bovespa ontem ilustram bem isso. A maior baixa do Ibovespa ficou com TIM Participações ON, que perdeu 21,91%, seguida pelas ações ON da Gafisa (-20,04%) e por América Latina Logística ON (-19,75%).

A queda dos papéis mais negociados foi menos intensa. Porém, devido a seu peso na composição do Ibovespa, acabam por serem decisivas para o resultado final da Bolsa.

Em um dia em que o barril de petróleo encerrou negociado a US$66,75 em Nova York, com baixa de 7,52%, dificilmente as ações da Petrobras conseguiriam ter resultado positivo. No fim do dia, a ação preferencial da Petrobras recuou 7,20%, e a ordinária, 7,90%.

Os papéis da Vale tiveram baixas de 8,67% (preferencial "A") e 5,68% (ordinária).

"Tivemos mais um dia bem ruim, mas não vejo um cenário de pânico. A volatilidade, que cresceu muito nas últimas semanas, tem dado o tom do mercado. Este ano já está perdido e difícil é dizer por quanto tempo ainda vai se estender esse ciclo de volatilidade muito elevada", afirma Jason Freitas Vieira, economista-chefe da UpTrend Consultoria Econômica.


Fonte: Folha de S.Paulo
23/10/2008