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A pressão sobre os negócios no mercado futuro, a falta de liquidez e a expectativa de redução do superávit comercial fizeram com que o dólar comercial encerrasse o dia ontem com forte valorização de 6,68%, com sua cotação sendo elevada para R$2,380. Ao levar em consideração o fechamento de 1º de agosto, a divisa acumula alta superior a 50% em cerca de dois meses. Em três dias, o salto se aproxima dos 13%.
Durante o dia, o Banco Central fez novas ofertas de dólares ao mercado. Foram postos à disposição cerca de US$515 milhões por meio de swap cambial, por meio de dois leilões. No primeiro, US$216,1 milhões foram vendidos em 4,3 mil contratos. No segundo, foram colocados à disposição os US$299,5 milhões restantes, por meio de seis mil contratos. Em ambos os casos, o vencimento está marcado para o dia 1º de dezembro.
A autoridade monetária efetuou também dois leilões de dólar à vista, com taxas de, respectivamente, R$2,3560 e R$2,3750. Nestes casos, o BC não divulga o volume negociado. No entanto, a corretora Concórdia, com base em informações advindas de bancos, contabilizou o valor total aproximado de US$530 milhões por meio das duas operações.
Vale lembrar que, anteontem, o BC informou já ter injetado US$22,9 bilhões desde o repique da crise - medida paliativa que não conseguiu segurar a escalada da moeda. Segundo analistas, a falta de liquidez é um dos principais motivadores da ausência de resposta do mercado. Gerente de Operações de Câmbio da corretora Concórdia, Luiz Piason explica que a divisa continua a subir por causa de uma baixa oferta no mercado à vista. "Dos US$22,9 bilhões oferecidos, US$12,9 bilhões vieram por meio de operações de swap cambial, com data marcada para voltar aos cofres. Outra grande parte veio por meio de crédito à exportação. Na verdade, o que o BC queimou mesmo, à vista, foram menos de US$4 bilhões", explicou. Dessa forma, a pressão sobre os negócios continua. "O mercado à vista movimentou cerca de US$3,45 bilhões na quarta-feira. Isso é aproximadamente 10% menor do que o verificado no dia anterior", explicou Piason. "Há uma escassez de dólares por aqui porque há essa mesma escassez nas linhas de crédito ao exportador. O exportador não consegue antecipar sua venda porque não encontra linha de crédito. Assim, o mercado está se ressentindo", comentou.
A debandada de estrangeiros também continua tendo forte impacto na oscilação do câmbio. No pregão de ontem, o Ibovespa caiu mais de 10% por volta das 17h, o que resultou no acionamento, novamente, do sistema de circuit breaker, que paralisa os negócios por meia hora. "Ano passado, cerca de US$90 bilhões entraram no Brasil. A saída de parte desse dinheiro tem um impacto muito forte sobre a cotação", lembrou Paulo Gala, professor da escola de Economia da Fundação Getulio Vargas. "O Brasil é um mercado muito grande e muito líquido. Então os investidores saem de suas posições aqui para ir, na maior parte das vezes, aos Estados Unidos, em busca de títulos do Tesouro", continuou. Além disso, o acadêmico ressaltou que a queda dos preços das commodities afeta fortemente o resultado da balança comercial brasileira. As contas externas acumulam superávit de US$874 milhões nas três primeiras semanas de outubro, valor 56,9% menor do que o verificado no mesmo período do ano passado. Com menos dólares entrando no País via comércio exterior, maior tende a ser a pressão sobre a cotação.
A falta de liquidez à vista também teve efeito nas operações futuras. O total de negócios para o dólar com vencimento a partir de novembro deste ano foi de aproximadamente 275 mil contratos. Em dias mais líquidos, esse número ultrapassa os 500 mil, segundo Piason. O produto mais líquido, com vencimento para o penúltimo mês deste ano, girou 269,4 mil contratos. O último preço foi de R$2,390, ante R$2,260 verificados no pregão anterior.
Como conseqüência, a LCA Consultores, apesar de prever uma desvalorização da divisa, reajustou sua cotação estimada para o fim do ano de R$1,75 para R$1,85. A decisão ocorreu "basicamente pela incorporação de uma diluição um pouco mais lenta da aversão ao risco do que vínhamos supondo", afirma a consultoria em seu relatório.
Fonte: DCI 23/10/2008 |