Crédito escasso favorece private equity
 


A crise financeira internacional tem gerado oportunidades para os fundos de private equity, que têm aproveitado para realizar novas aquisições com a queda do preço dos ativos. Porém, alcançar as altas taxas de retorno não será tão fácil e exigirá maior tempo de investimento nas companhias.

Os fundos de private equity captaram cerca de US$460 bilhões em 2007, aumento de 5% em relação ao registrado em 2006. Capitalizados, esses fundos devem ter atuação fortalecida frente à escassez de crédito e da retração do mercado de capitais, mostrando-se como opção de injeção de capital as empresas. A previsão é do estudo global sobre private equity: "Buscando diferenciação num contexto de mudanças", realizado pela PricewaterhouseCoopers.

Segundo o sócio de fusões e aquisições da PricewaterhouseCoopers, Alexandre Pierantoni, a indústria de private equity deve continuar aquecida, porém os investidores devem ser mais seletivos na escolha dos investimentos "A turbulência tornou mais difícil a avaliação do valor das empresas."

Pierantoni destaca que a desaceleração do crescimento econômico deve afetar a rentabilidade das empresas, levando a um retorno do prazo de investimento para cinco a oito anos. "Com a retração do mercado de capitais, a saída dos investimentos via bolsa deve ficar mais difícil, devendo focar na venda para investidor estratégico."

Neste ano até setembro, esses fundos responderam por 18% do volume total de transações de fusões e aquisições no Brasil, contra uma participação de 15% registrado no ano passado. Só nos últimos dois meses foram anunciadas grandes operações envolvendo fundos como a compra da rede de varejo Quero-Quero pela gestora Advent International, controladora também da holding International Meal Company (IMC) que adquiriu a cadeia de restaurantes Frango Assado.

Outra gestora que aproveitou para ir às compras foi a Gávea Investimentos. Nos últimos dois meses, a gestora anunciou a compra de participação na rede de farmácias Droga Raia, no grupo RBS Comunicações, além de anunciar compra de ações da Cosan. "Com a queda do preço dos ativos em bolsa, deve crescer a entrada dos fundos em empresas de capital aberto", diz Pierantoni. Ele destaca que o foco dos fundos hoje está voltado para os setores de bens de consumo, imobiliário, de infra-estrutura e agronegócio.

Segundo o estudo, em 2007, o setor de private equity investiu globalmente US$297 bilhões, representando crescimento de 26% em relação a 2006. Com a desacelaração das economias desenvolvidas com a crise internacional, os mercados emergentes devem se consolidar como interessantes oportunidades de investimento.

Segundo o sócio da PricewaterhouseCoopers, Carlos Mendonça, o crescimento do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) deve continuar aquecido, porém abaixo da média registrado no ano anterior. Em 2007, os investimentos na região da Ásia Pacífico aumentaram 36% para US$86,3 bilhões, somando cerca de US$51,6 bilhões em novas captações. A Índia liderou os investimentos, com aporte de US$17,5 bilhões, crescimento de 136% em relação a 2006. Já a China registrou investimentos de US$10,62 bilhões dos fundos,aumento de 3% contra o registrado em 2006. Entre os emergentes, o país lidera a captação de novos recursos, que somaram US$11 bilhões em 2007, contra US$5,94 destinados para a Índia.

A América Latina tem ganhado destaque com aumento de 74% dos investimentos, que somaram US$35,6 bilhões. A captação dos fundos dedicados à região cresceu 54%, atingindo US$19 bilhões, sendo a maior parte destinados para o México e Brasil.

A América do Norte continua liderando as captações, levantando US$302,8 bilhões em 2007, sendo que US$107,1 bilhões foram investidos na região. Já para a Europa foram levantados US$92,5 bilhões, volume 30% menor que em 2006, sendo investidos US$86,5 bilhões.


Fonte: Gazeta Mercantil
27/10/2008