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Mais votado em todo o País e com o maior número de prefeituras (1.203), o PMDB sai das eleições municipais como o fiel da balança na disputa, em 2010, ao Palácio do Planalto. O resultado expressivo nas urnas vai aumentar o poder de barganha do partido junto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, disposto a fazer o sucessor, não poupará esforços para consolidar a aliança com os peemedebistas. A oposição, liderada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), também cobiça o PMDB para retornar à Presidência da República daqui a dois anos.
"O PMDB é a noiva em disputa. Será cortejado por Lula e Serra", avalia Carlos Melo, cientista político do Ibmec/São Paulo. O presidente já deu os primeiros sinais de que não abre mão dos aliados e se manteve ausente, a pedido do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), da corrida pela prefeitura de Salvador (BA), onde o prefeito-reeleito João Henrique (PMDB) concorreu contra Walter Pinheiro (PT). Melo ainda aposta numa reforma ministerial que contemple, sobretudo, o PMDB.
Presidente nacional da sigla, o deputado federal Michel Temer (SP) atribui o sucesso nas urnas à pacificação interna no partido. O bom desempenho nas eleições deste ano será fundamental para o partido ampliar sua bancada federal daqui a dois anos. Temer diz que não acredita na tese de que a briga na capital baiana possa azedar as relações entre as duas legendas. O deputado federal Ricardo Berzoini, presidente do PT, faz coro às declarações do aliado. "Não haverá seqüelas para o futuro", garantiu.
Melo, entretanto, não descarta a possibilidade de problemas, principalmente pela proximidade de Geddel com Serra. "Qualquer desatenção na Bahia pode ser a gota da água. Não foi à toa que Lula não pisou em Salvador", destacou.
O PSDB também articula para atrair os peemedebistas. Os tucanos, inclusive, já definiram a estratégia. Pretendem explorar a divisão na legenda. "Os ‘PMDBs’ vão ser disputados. São Paulo e Pernambuco já estão com Serra", afirma o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), sinalizando que o governador paulista deve ser o candidato tucano nas eleições presidenciais de 2010. O ex-presidente Fernando Henrique também indicou ontem que Serra desponta como o principal nome do PSDB ao enfatizar que a reeleição de Gilberto Kassab (DEM) fortalece a sua candidatura. Ele também lembrou do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), como outra alternativa, porém, reiterou que São Paulo estará com Serra.
O desafio do tucano, observa o cientista político, será se expandir para além de São Paulo. "Ele terá que penetrar no Nordeste e vai precisar do PMDB. O DEM não tem mais essa capilaridade. Perdeu prefeituras importantes na região". Os democratas, aliás, iniciam uma nova fase na história do partido com a eleição de Kassab. "Essa vitória consolida nosso processo de renovação", comemora o deputado federal Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM.
Para Melo, a sigla não pode esquecer que teve uma derrota significativa, em Salvador, além de desempenhos pífios no Rio de Janeiro e Porto Alegre. "O DEM vai ter que passar por um processo de reconstrução da sua força política no cenário nacional. Torna-se importante em São Paulo, mas é inaugural essa importância", analisa. A chegada de Serra ao Palácio do Planalto daqui a dois anos pode ser determinante para a sobrevivência política dos Democratas. "Se ele ganha, o DEM participa do governo federal e faz o caminho do PMDB, ocupando espaços na máquina para depois se reconstruir para as eleições de 2012", conclui.
Fonte: Gazeta Mercantil 27/10/2008 |