Bom humor faz dólar cair pelo terceiro dia
 


O bom humor no mercado internacional após o corte de meio ponto percentual para 1% ao ano nos Fed Funds, a taxa básica de juros dos Estados Unidos, se alastrou no mercado doméstico dando espaço para uma nova queda na cotação do dólar comercial.

O Banco Central (BC) interveio no mercado duas vezes por meio de leilões de swap cambial, ofertando US$1,083 bilhão no total.

O recuo nos prêmios dos contratos de juros futuros e a recuperação na cotação do euro frente ao dólar deram fôlego para a moeda norte-americana recuar no pregão de ontem. O fato das exposições cambiais das empresas brasileiras terem diminuído, segundo dados da Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip), também pesou a favor do real.

O mercado espera que a Aracruz liquide parte de operações de derivativos com vencimento amanhã. Uma fonte do mercado afirmou que a companhia teria feito um acordo para o pagamento da dívida no prazo de 15 anos. O vencimento de parte das operações da companhia amanhã promete movimentar o mercado cambial e pode puxar a cotação do dólar para cima.

Ontem, o BC anunciou que foi estabelecida uma linha de swap de dólares por reais com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) no valor de US$30 bilhões. A medida visa dar liquidez ao mercado. Também foi divulgado que o fluxo cambial ficou negativo em US$4,397 bilhões nos primeiros 18 dias úteis de outubro. "Boa parte do fluxo negativo é justificado pela queda na Bovespa e pelas remessas de royalties de empresas para o exterior", explica o economista-chefe da corretora Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

O dólar comercial fechou em queda de 2,64%, cotado a R$2,142 na venda. Apesar de a divisa perder 9,85% na semana, ela ainda acumula ganhos de 11,37% no mês e 20,36% no ano.

De acordo com o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, o corte no juro básico norte-americano trouxe novamente o fluxo de arbitragem no mercado, visto que aumenta a diferença entre o juro básico praticado nos Estados Unidos e no Brasil. "O movimento de arbitragem voltou ao mercado e começou a procura de pechinchas ao redor do mundo", disse.

Para Galhardo, o dólar comercial procura agora um ponto de equilíbrio em um patamar mais baixo. "Acabou aquele desespero no mercado futuro da BM&F", afirmou.


Fonte: Gazeta Mercantil
30/10/2008