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Os olhos do mundo estarão voltados com mais atenção à política norte-americana amanhã, quando oficialmente acontecem as eleições presidenciais nos Estados Unidos. E, em meio à crise, o que todos se perguntam neste momento é se o sucessor de George W. Bush na Casa Branca - seja ele o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain - vai conseguir reativar o país, que luta contra o fantasma da depressão econômica. E o resultado final está, mais uma vez, nas mãos dos indecisos.
Hoje, os estados que têm maior peso no processo eleitoral norte-americano são Flórida, Ohio, Colorado, Pensilvânia, Virgínia, Nevada e Carolina do Norte. New Hampshire e Novo México também costumam ter importância nas decisões. Quem vence nessas regiões geralmente ocupa o posto de presidente dos EUA.
Nas pesquisas de intenção de voto das últimas semanas, Obama aparece não só como franco favorito à Casa Branca, mas também tem vantagem nos estados-chave. Pesquisa divulgada ontem pelo instituto Gallup dava ao senador por Illinois uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre McCain.
Obama também lidera em Nevada, Carolina do Norte e Pensilvânia, segundo a sondagem feita na semana passada pela CNN/Time/Opinion Research Corp. e mantém vantagem de 4 pontos em Ohio, enquanto McCain está à frente por 7 pontos no Arizona, seu estado natal.
Segundo projeção da emissora norte-americana, se a eleição fosse na ocasião em que a sondagem foi realizada - entre os dias 26 e 30 de outubro - o democrata venceria com 291 votos nos Colégios Eleitorais. McCain teria 163 votos e os indecisos seriam 84.
Pesquisas indicam ainda que, na Flórida, Obama e McCain estão empatados, e ressaltam a rejeição do democrata por parte do eleitorado branco.
Ainda segundo os cálculos da CNN, o processo de votação antecipada naquele país já teria atraído mais de 23 milhões de eleitores em 25 estados. Pelo menos seis milhões destes se declararam afiliados a um dos dois partidos, na proporção de 57,8% democratas e 42,2% republicanos.
Os analistas alertam para o perigo que o sentimento de "já-ganhou" pode causar a Obama. Além disso, os especialistas indicam que existe hoje, nos Estados Unidos, a sensação de que, ao assumir a Presidência do país, Obama conseguirá romper com a política atual e sanar os problemas como em um passe de mágica.
Para o lado republicano, nada está decidido. "Todos os indicadores apontam uma eleição mais disputada do que se pensa", diz Bill McInturff, responsável pelas pesquisas de John McCain.
O tom da campanha dos candidatos foi ditado pela crise financeira que começou com problemas no crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos EUA, contanimou mercados do mundo todo e agora ameaça a economia real das grandes potências.
Para solucioná-la, os rivais tem soluções diferentes. Para muitos, Obama saiu beneficiado com a turbulência mesmo com a inexperiência administrativa. A situação parece tão grave que para muitos eleitores é melhor se arriscar por uma mudança - já que a seqüência de quedas no mercado mostra a falta de confiança - do que apostar na tão propagada experiência republicana.
McCain, para se isolar da baixíssima popularidade de Bush, tenta apontar as falhas republicanas, indicando uma mudança de rumo, caso seja eleito. O republicano centrou seu foco nos setores mais afetados pela crise financeira, como correntistas, aposentados e proprietários de imóveis. Entre as suas propostas estão o uso de parte dos R$700 bilhões do pacote de resgate financeiro (em torno de US$300 bilhões) para resgatar as hipotecas inadimplentes, trocando-as por financiamentos com juros prefixados. Além disso, ele quer eliminar a carga tributária, por meio de isenções dos benefícios para desempregados nos primeiros dois anos. O plano de McCain prevê a redução do imposto das retiradas dos planos de previdência (sobre os primeiros US$50 mil) e a diminuição do teto da alíquota para ganhos de capital de longo prazo, de 15% para 7,5%. Ele também propôs aumentar de US$3 mil para US$15 mil a perda de capital pela venda de ações e outros títulos deduzíveis do Imposto de Renda.
Obama diz que suas propostas se concentram na ajuda à classe média do país. Segundo ele, o cerne do plano é a criação de empregos, com estabilização do sistema financeiro e ajuda aos proprietários de imóveis que estejam enfrentando dificuldades. Em linhas gerais ele propõe a redução tributária temporária para as empresas, de US$3 mil para cada novo emprego criado nos EUA nos próximos dois anos. Além disso, ele deve criar um fundo especial para empréstimo de dinheiro aos Estados em dificuldades e eliminar os impostos sobre benefícios do seguro-desemprego.
Obama propõe ainda permitir a retirada de até US$10 mil sem penalizações tributárias das aposentadorias nos próximos dois anos e maior regularização do mercado financeiro, com o Federal Reserve (Fed - o BC dos EUA) e o Tesouro garantindo que o sistema bancário se responsabilize de por suas ações.
QUEM É QUEM? McCain já foi chamado de político independente, de herói e de sobrevivente. Aos 72 anos de idade, o senador pelo Estado do Arizona se tornaria o homem mais velho a assumir a presidência norte-americana em um primeiro mandato. McCain viveu mais de cinco anos como prisioneiro de guerra no Vietnã, fez seu nome no Congresso entrando em conflito com seu partido por discordar de políticas e travou uma batalha pela vaga republicana nas eleições presidenciais de 2000, na qual foi derrotado por Bush (então governador do Texas).
Obama pode fazer história ao tornar-se o primeiro presidente negro a comandar os EUA. Nascido no Havaí de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia, o candidato passou parte de sua infância na Indonésia.
O senador em primeiro mandato pelo Estado de Illinois, é o autor de dois livros autobiográficos que entraram na lista de best-sellers. É formado na Universidade Columbia e na Faculdade de Direito Harvard.
Fonte: DCI 03/11/2008 |