Juntos, Itaú e Unibanco terão ganho extra de R$142 milhões
 


Com o fim da fase de apresentação da união para o mercado, com teleconferências a investidores e coletivas de imprensa, Itaú e Unibanco devem, finalmente, começar a trabalhar no cronograma de integração das instituições. Além disso, os presidentes executivos dos dois bancos, Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, avaliam que a integração deverá gerar um lucro adicional de R$142 milhões em sinergias entre as duas instituições, em 2008, segundo estimativa apresentada em teleconferência a analistas realizada ontem.

Ainda sem estimar valores definitivos, Setubal e Salles acreditam que tanto os custos do banco quanto as receitas ganharão com as sinergias entre as entidades. "Haverá ganhos claros em custos na área de TI [tecnologia da informação], com processamento de dados otimizado, além de compras e sistemas", avalia o presidente do Itaú. Salles destaca as possibilidades com receitas. "O setor de operações de varejo possui um potencial extraordinário, assim como cartões de crédito e crédito ao consumo", avalia. "É uma situação em que há um resultado positivo no lucro por ação já no curto prazo", afirmou o diretor de Relações com Investidores do Itaú, Alfredo Setubal.

De acordo com as instituições, o Itaú terá um lucro de R$8,239 bilhões em 2008 e o Unibanco, de R$3,079 bilhões, totalizando R$11,408 bilhões - com lucros por ação de, respectivamente, R$2,82, R$1,13, e as duas juntas de R$2,79. No entanto, a sinergia adicional projetada de R$142 milhões fará com que o lucro de Itaú Unibanco Holding fique em R$11,550 bilhões, o que representa um lucro por ação de R$2,82.

De acordo com Setubal, a união entre as instituições foi aprovada ontem pelo conselho do Itaú, que se reuniu também para aprovar as contas do terceiro trimestre. Agora falta aprovação em assembléia.

Salles diz que a aprovação do conselho do Unibanco deve sair "nas próximas semanas". Depois desse passo, restará a aprovação por parte do Banco Central para concretizar a união. Sem querer dar prazos definitivos para a formação da Itaú Unibanco Holding, nome da empresa a ser formada, Setubal compara com o período de união com o Bank Boston, adquirido em 2006, que "levou 4 meses".

Os executivos defenderam ainda que suas carteiras de Corporate são complementares, descartando risco de exposição elevada ao crédito de determinados grandes clientes comuns aos bancos. "Vamos ter a base de capital elevada, e isso não nos causa desconforto nenhum. Também não irá implicar redução no volume de crédito, e sim agregar uma base de clientes dos dois bancos", avalia Moreira Salles.

Na carteira de crédito total do novo banco, que nasce com um saldo de R$225 bilhões, Setubal espera um crescimento entre 15% e 20%. "Isso se a previsão do Produto Interno Bruto [PIB] se mantiver em 3%, o que vai depender de como será de fato a economia dos Estados Unidos e da Europa", avalia Setubal.

Nos planos de internacionalização, principal meta e motivo da união, as conversas ainda não foram aprofundadas, porém a América Latina é o mercado "preferencial e natural" da expansão. Segundo as tratativas iniciais, o objetivo é chegar a ser um global player em cinco anos. Com presença em todos os países do Mercosul, Setubal avalia que Chile, Peru e México seriam mercados atrativos para a instituição financeira, pela economia estável e dinâmica e pela estabilidade política. "Com a base que teremos no mercado local, nos é permitido olhar para fora com mais conforto e confiança e ambicionar coisas que nenhum de nós conseguiria", projeta Moreira Salles.

O Itaú Unibanco Holding já surge como o maior grupo financeiro do País por total de ativos, com R$575,1 bilhões, superior a Banco do Brasil, que tem R$403,5 bilhões, e Bradesco, com R$348,5 bilhões, e também maior do Hemisfério Sul. O banco seria a 16ª instituição financeira do mundo por capital financeiro e a quarta empresa em valor de mercado da América Latina, atrás apenas da Petrobras, da Vale e da mexicana América Móvil.

A nova instituição estuda ainda como será a organização das agências, porém descarta qualquer redução de postos. Segundo Salles, as agências atuais já estão repletas de clientes e não há capacidade física de transferi-los. "Isso é algo de que me arrependo, de na época da aquisição do Banco Nacional [na década de 90], termos fechados agências. Não se consegue transferir a integralidade dos clientes." Setubal completa dizendo que o objetivo é crescer, não reduzir. Ele lembrou ainda que a manutenção das agências não irá significar a piora do índice de eficiência da nova instituição. "Se não houver redução de custo nem aumento de receita, já manteremos o índice. É desse nível para melhor", avaliou. No ano, até setembro, o Itaú apresenta um índice de 44,8%, que mede a relação entre despesas e receitas.


Fonte: DCI
05/11/2008