Crise vai perder fôlego após eleição nos EUA, afirma Lula
 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ontem que o investimento na produção, a recuperação do Estado como indutor do crescimento e a expansão do mercado interno brasileiro, com mais pessoas com maior poder de compra, garantem ao País condições de atravessar a crise financeira internacional sem grandes abalos. "Vamos trabalhar com empresários brasileiros para que eles não parem suas obras, porque essa crise pode trazer percalços momentâneos, como a recessão na Europa e nos Estados Unidos. Alguns setores exportadores perderão um pouco e terão de procurar novos mercados. Mas temos potencial de mercado interno que poucos países têm, temos uma sociedade ávida para comprar. Temos milhões que querem carro, geladeira, televisão, casa, coisa que o mundo desenvolvido conquistou e não conquistamos", explicou.

Segundo Lula, a crise precisa do remédio correto. "Temos que olhar como médico responsável, saber que a doença tem gravidade, mas se a gente der o remédio correto, não precisamos ficar fazendo apologia da morte, torcendo para que crise chegue ao Brasil", afirmou.

O presidente participou da inauguração da segunda casa de força da Usina Hidroelétrica de Tucuruí, Pará. De acordo com o governo federal, a hidroelétrica é considerada a maior usina genuinamente brasileira e fornece energia a 40 milhões de pessoas. A primeira casa de força da hidroelétrica de Tucuruí, com potência instalada de 4.245 megawatts, foi concluída em 1992. Sem verba, as obras desta segunda etapa só recomeçaram em 1998. Apesar de inaugurada ontem, a segunda etapa já funciona desde o ano passado, somando 4.125 megawatts. No total, portanto, são 8.370 megawatts, ou 10% da potência instalada do País.

Lula estava acompanhado da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), e dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Lupi (Trabalho) e Edison Lobão (Minas e Energia).

PAPEL DO ESTADO NA CRISE
Ao discursar, Lula voltou a destacar a importância do Estado na crise. "Durante trinta anos os que foram vítimas da crise, não os trabalhadores que perderam casas nos Estados Unidos, mas os governantes, venderam idéia de que não precisávamos de governo, de Estado. (...) Quando viram que o mercado quebrou por irresponsabilidade, porque fizeram do sistema financeiro um cassino, querendo ganhar dinheiro sem construir uma parede, um tijolo, ganhando dinheiro trocando papel, quando perdem é ao Estado que todos pedem socorro", lembrou o presidente.

Lula disse que o Brasil vai reagir à crise mantendo os investimentos em obras de infra-estrutura. "O governo federal não vai parar uma obra do PAC, todas elas serão mantidas. (...) Tem gente torcendo para a crise chegar e vamos reagir mantendo as obras, incentivando a produção, fazendo com que o crédito chegue. (...) Por isso, peço que ninguém pare os investimentos. Na hora que o vendaval passar, quem estiver mais preparado vai mudar o jogo."

Ele citou ainda que alguns setores fazem "apologia da crise". "Na verdade, eu só sobrevivi porque enfrentei crises. É mais uma crise na minha vida, que não é nem minha, é dos outros. Mas cabe a mim trabalhar não com otimismo exagerado, mas tampouco prever a desgraça antecipada. E essa inauguração [da expansão da usina] é exemplo de que, enquanto alguns fazem apologia da crise, estarei inaugurando obras. Porque contra a recessão só tem uma solução: mais produção", completou.

CRISE DE FÔLEGO CURTO
Lula afirmou também que a crise financeira internacional deve começar a perder fôlego depois da eleição do novo presidente dos Estados Unidos. Os americanos elegeram ontem o presidente do país para os próximos quatro anos, mas o resultado só deve ser conhecido a partir de hoje.

O presidente voltou a recomendar que os empresários brasileiros não abortem os investimentos em curso, argumentando que o País precisa estar preparado para quando a atual turbulência econômica passar. "Não é possível que quem ganhar essas eleições [nos Estados Unidos] vá deixar essa crise durar um ano", disse. "Temos que nos preparar porque, na hora em que esse vendaval passar, quem tiver mais preparado é que vai levar o jogo. E penso que começa a surtir efeito logo depois das eleições. Porque não é possível que quem ganhar essas eleições vá deixar essa crise durar um ano. A economia não agüenta. [O eleito] tem que tomar medidas rápidas", arrematou o presidente.

Antes do presidente, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, também frisou que o País hoje tem condições de enfrentar a crise. "O mundo inteiro enfrenta falta de crédito. O que temos de diferente é que o governo tem condições de auxiliar o setor privado e permitir que os investimentos sejam mantidos", disse a ministra, apontada como pré-candidata favorita do presidente à sucessão presidencial em 2010.


Fonte: DCI
05/11/2008