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A Bovespa operou o pregão todo em terreno positivo ontem, apoiada em mais um dia de ganhos no setor bancário e na recuperação dos papéis da Petrobras. A alta de 5,24% de ontem permitiu que a Bolsa de Valores de São Paulo retomasse o patamar dos 40 mil pontos.
Ao fechar aos 40.254 pontos, a Bovespa teve seu quinto dia de alta nos últimos seis pregões - nesse período, acumulou valorização de 36,8%. Todavia, essa escalada dos últimos dias não foi suficiente para afastar a Bolsa do vermelho no ano. A baixa anual acumulada está em 36,99%. Se forem considerados os últimos dois meses, período em que a crise se agudizou, a queda da Bolsa ainda é de 25%.
Os mercados acionários também se recuperaram no exterior. O índice Dow Jones, das ações americanas mais negociadas, subiu 3,28%. A Bolsa de Londres se apreciou 4,42%.
O setor bancário, que foi surpreendido na segunda-feira com o anúncio da fusão de Itaú e Unibanco, esteve ainda na mira dos compradores. As ações UNT do Unibanco subiram 6,01%, e as preferenciais do Itaú ganharam 4,83%.
Mas o destaque de ontem ficou com os papéis ordinários do Banco do Brasil, que dispararam 15,64%, movidos por rumores de que a instituição está muita próxima de fechar a compra da Nossa Caixa, cujas ações subiram 13,86% ontem. Os papéis ficaram no topo das altas do índice Ibovespa.
Com o petróleo em forte elevação no exterior, as ações da Petrobras também se recuperaram. O barril de petróleo se apreciou 10,3% em Nova York, cotado a US$70,53.
Sendo o papel mais negociado da Bolsa e estando presente em boa parte dos fundos de ações, os papéis preferenciais da Petrobras movimentaram quase 20% do giro total do mercado ontem. As ações preferenciais da estatal subiram 8,47%, e as ordinárias, 9,96%.
Apesar dos últimos pregões favoráveis, a Bolsa ainda está bem distante de seus picos. E analistas afirmam que é cedo para dizer que a crise é algo passado. Desde seu pico em 20 de maio, quando alcançou os 73.516 pontos, o Ibovespa tem baixa acumulada de 45,2%.
"Se daqui para o fim do ano se consolidar a idéia de que o momento mais agudo da crise foi superado, podemos seguir assistindo a essa recuperação. O mundo tem respirado um pouco, mas ainda há muita desconfiança no mercado financeiro", afirma Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
Nos últimos pregões, operadores têm percebido mais compras sendo feitas com capital externo. Mas o balanço dos negócios realizados pelos investidores estrangeiros ainda está fortemente negativo.
Em outubro, a categoria mais vendeu que comprou ações no montante de R$4,69 bilhões. Esse foi o quinto mês seguido de fuga de capital externo da Bovespa. No ano, os estrangeiros já tiraram líquidos cerca de R$23 bilhões do pregão local. Nunca antes tanto dinheiro externo abandonou a Bolsa.
Um dos setores que os estrangeiros mais gostam na Bolsa, o de siderurgia e metalurgia, teve altas elevadas no pregão de ontem. No segmento, um dos destaques foram as ações PN da Gerdau, que se apreciaram 11,47%. Os papéis preferenciais "A" da Vale, que só perdem em volume negociado para a Petrobras, terminaram com valorização de 5,47%.
Fonte: Folha de S.Paulo 05/11/2008 |