| |
A saída de dólares do Brasil no mês passado foi a maior já registrada pelo Banco Central desde janeiro de 1999, mês em que uma crise cambial culminou na maxidesvalorização do real. Ao longo de outubro, segundo o BC, as remessas feitas ao exterior superaram os ingressos em US$4,639 bilhões.
Ao contrário do que vinha acontecendo até setembro, porém, não apenas houve uma saída de estrangeiros do mercado financeiro brasileiro como também um recuo no volume de dólares trazidos ao país por exportadores. Em outubro, as exportações responderam pela entrada de US$14,5 bilhões no país, uma queda de US$4,8 bilhões - ou 25% - em relação ao resultado de setembro.
Segundo José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), as exportações brasileiras têm sido prejudicadas tanto pela menor oferta de crédito ao país quanto pela desaceleração da economia mundial, que faz com que o resto do mundo reduza a procura por produtos fabricados no Brasil.
"É difícil dizer qual desses dois fatores pesa mais, mas ao menos na questão do crédito a solução parece estar mais próxima", afirma. Ele cita a iniciativa do BC em fazer leilões de dólares específicos ao financiamento à exportação como um dos fatores que têm ajudado a combater a falta de crédito.
Ontem, o BC fez o segundo leilão desse tipo, em que os dólares são emprestados a um grupo de bancos, que, em troca, se comprometem a repassar os recursos para os exportadores. A intenção era colocar até US$2 bilhões no mercado por meio dessa oferta, mas o BC aceitou apenas as propostas apresentadas por 18 bancos, que somaram US$1,453 bilhão.
As instituições financeiras terão agora 30 dias para fechar os contratos de financiamento ao comércio exterior com seus clientes e apresentar os comprovantes ao BC.
Sem poder contar com o reforço dos exportadores, o fluxo de capital externo para o Brasil no mês passado foi influenciado pela saída de recursos do chamado segmento financeiro, que inclui empréstimos e investimentos estrangeiros direcionados ao país.
Em outubro, essas operações financeiras foram responsáveis pela saída de US$6,249 bilhões do Brasil. Trata-se do segundo pior resultado do ano, atrás apenas do apurado em janeiro. Nos últimos dois meses, US$10,4 bilhões deixaram o país por meio dessas transações.
Devido às maiores remessas de recursos para fora do país, o BC passou a intervir no mercado de câmbio de duas maneiras: vendendo dólares diretamente ou fazendo leilões casados de compra e venda de divisas.
Nessas ofertas, o BC vende uma determinada quantia de dólares aos bancos e, depois de um certo período, essas instituições revendem a moeda de volta ao BC.
Ao todo, o BC injetou cerca de US$10 bilhões no mercado ao longo de outubro por meio desses dois mecanismos. O dinheiro saiu das reservas internacionais do país, que estão em cerca de US$204 bilhões. Desde 2003 o BC não vendia dólares no mercado.
Fonte: Folha de S.Paulo 06/11/2008 |