Lula quer que o BNDES acelere atuação para combater a crise
 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a "acelerar a atuação anticíclica", ou seja, contra a desaceleração da atividade econômica, informou ontem o presidente da instituição financeira estatal, Luciano Coutinho. Por esse motivo, o governo está estudando alternativas de conseguir mais dinheiro para o banco para o ano que vem. "A determinação do presidente é que o banco receba o funding necessário. A questão é como", disse Coutinho. Segundo o executivo, o banco está com o orçamento de 2008 garantido, mas está alocando já para este ano recursos inicialmente programados para uso só no primeiro trimestre do ano que vem.

De acordo com ele, China e Brasil são os dois países mais preparados para enfrentar a crise internacional. No caso brasileiro, um dos instrumentos que ajudam a combater a crise, além da "capacidade fiscal", é o BNDES, "que sustenta 70% dos investimentos em infra-estrutura", argumentou Coutinho ao encerrar o IV Encontro de Entidades de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e da Europa, no BNDES. Coutinho atribui grande importância aos setores de infra-estrutura, que considera que vão garantir "um piso de crescimento para a economia brasileira".

O presidente do BNDES afirmou haver também grande esforço para captar em instituições multilaterais. "Eu acredito que as instituições multilaterais de crédito serão instadas, inclusive agora na reunião do G-20, a terem uma atitude mais generosa para com os países em desenvolvimento", afirmou.

Para ele, as grandes economias em desenvolvimento terão que "puxar o barco", na recuperação mundial. O mercado interno brasileiro também será utilizado como forma de compensar parte da redução do comércio internacional. Para isso, o País poderá acelerar algumas obras de infra-estrutura. Com este objetivo, o banco vai aumentar a concessão de empréstimos-ponte. Segundo Coutinho, já há solicitação de empresas do setor, porque o crédito do sistema privado está mais difícil, mais caro, mais seletivo.

"A gente não quer que isso se reflita em condições de tarifa mais alta para o usuário brasileiro." Para ele, trata-se de um problema transitório. "Enquanto ele não for superado, o BNDES vai comparecer e suportar todas as necessidades de crédito para o investimento." Coutinho explicou que o empréstimo-ponte é aquele antes de a empresa ganhar a concessão para realizar ordens de compra de equipamentos e montar o canteiro de obras. "Se o empréstimo-ponte estiver transitoriamente complicado, nós vamos ajudar e transitoriamente oferecer empréstimo-ponte."


Fonte: DCI
06/11/2008