Empresas terão R$15 bi para capital de giro
 


As empresas terão mais R$15 bilhões em crédito para capital de giro e para as modalidades de pré-embarque nas vendas externas e de empréstimo-ponte, anunciou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Desse total, R$10 bilhões sairão do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e serão destinados às médias e grandes companhias e R$5 bilhões do Banco do Brasil, para as pequenas e médias.

No caso do BNDES, Mantega esclareceu que os recursos virão, em parte, da emissão de títulos pelo Tesouro Nacional, que os repassará ao banco. A outra parte virá da emissão de Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) pelo BNDES. O ministro informou que o governo vai direcionar a redução do depósito compulsório dos bancos (dinheiro que eles são obrigados a recolher ao Banco Central) para que as instituições financeiras comprem esses papéis.

Com os R$10 bilhões anunciados ontem, os recursos injetados no BNDES este ano já somam R$44,5 bilhões, segundo cálculo do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. No início do ano, o Tesouro foi autorizado a emprestar R$12,5 bilhões para o BNDES ampliar sua capacidade de financiamento; depois a instituição recebeu mais R$7 bilhões do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS) para financiamentos de infra-estrutura. Em setembro, no início da crise, o Tesouro emitiu R$15 bilhões em títulos para o banco. Agora, foram mais R$10 bilhões.

O presidente do Banco do Brasil, José Antonio Lima Neto, disse que a instituição ainda está "desenhando" a linha de crédito de R$5 bilhões para dar capital de giro às pequenas e médias empresas. Mas, segundo ele, esse dinheiro reforçará o caixa das empresas no fim do ano e no primeiro trimestre de 2009.

PREVISÃO OTIMISTA
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que o crescimento do País deve ficar mais perto de 4% do que de 3,5% em 2009. "Não vamos deixar que o crescimento caia abaixo de um piso que comprometa a criação de emprego", disse Coutinho, em evento do Sinaprocim e do Sinprocim, sindicatos da indústria de produtos de cimento, em São Paulo.

Segundo Coutinho, o banco tem um mapeamento do investimento no País que aponta para essa expansão, apesar da crise. ''Na infra-estrutura, será praticamente zero o cancelamento de projetos, pois são projetos de interessa da União ou dos Estados. É possível alguma postergação de investimentos para o comércio exterior.''

Coutinho afirmou que o setor de habitação enfrenta um "ligeiro soluço" na demanda da classe alta, que teve perdas na bolsa e foi atingida pela crise. "Na classe média e na classe baixa, a demanda vai continuar firme."


Fonte: O Estado de S. Paulo
07/11/2008